Escola do Samba é um projeto realizado pelo Instituto Nação no espaço AFROBRASE que visa resgatar e difundir o samba raiz através de eventos culturais gratuitos.
Desde 2008, já estiveram no palco do Escola do Samba: Osvaldinho da Cuíca, Quinteto em Branco em Preto, Dinho Nascimento, Dona Inah, João Borba (acompanhado de Luizinho 7 cordas), entre outros.
E neste último domingo do mês, 31/07, é a vez de um dos maiores sambistas Eduardo Gudin, e com uma homenagem à ninguém menos que Paulo Cesar Pinheiro.
Abertura do evento acontecerá às 16 horas com o grupo Samba da Casa. Conheço o projeto e compareça!
Não, não irei falar de nenhum show de PC Pinheiro. Vou contar uma pouca da experiência que tive ao terminar de ler neste fim de semana o livro "Histórias das minhas canções - Paulo Cesar Pinheiro.
O formato "Histórias das minhas canções" começou com Chico Buarque, numa espécie de biografia de suas canções, e revelando curiosidades e a verdadeira história das composições do artista. No entanto, este primeiro livro foi escrito com Wagner Homem, amigo próximo de Chico.
Já o de PC Pinheiro tem um toque adicional de veracidade e intimidade, que é ser contado pelo próprio compositor e poeta. Poeta este que já tem mais de mil músicas e outras dezenas de parcerias, além de livros e álbuns. Poeta que hoje é reconhecido como um dos maiores compositores de samba e da música brasileira.
Fã confesso de Guimarães Rosa, PC Pinheiro era querido por Elis Regina por sua poesia na linguagem simples e quase popular, mas com uma profundidade estrondosa. Foi parceiro de Baden, Mauro Duarte, João Nogueira, Lenine, Tom Jobim, Wilson das Neves, e hoje é parceiro dos filhos e outros jovens talentos, atravessando gerações.
O livro nos revela, através do coração do escritor, sua intimidade e sua forma de pensar as coisas com uma leveza e no misticismos de suas crenças. Revela momentos seus, como a morte de sua mulher Clara Nunes, e porque resolveu compor uma música póstuma em sua homenagem.
Este que foi admirado por Carlos Drummond de Andrade, dividiu o parceiro Baden Powel com Vinícius de Moraes, tinha um poema seu num quadro na casa de Dorival Caymmi e outras divertidas hstórias, nos revela a cada folha algo novo, e nos mostra a magnitude de sua obra.
Paulo Cesar Pinhero é a voz das tradições do samba, do samba generoso que divide, agrega e que arrebata os corações de quem sabe sambar. Bom samba a todos!
Agradeço ao samba pela paixão que sinto em minhas veias ao ouvir o romper de uma batucada.
O samba está na alma de quem sabe senti-lo, está no sorriso malandro do pandeirista, e aos amantes do samba, só resta se entregar ao copo e ao corpo. As noites de samba são eternas, e a roda nunca morre. E parafraseando Paulo Cesar Pinheiro: "eu quero aprender-lhe a medida, de como compõe minha vida, que é para eu compor minha morte".
Salve o samba.
Texto inicial do livro "Heranças do Samba"para compartilhar a todos amantes do samba. Feliz Dia do Samba a todos nós.
Mais do que uma arte
"'Flores em vida para Nei Lopes Em memória de Anescarzinho do Salgueiro'
Falo do samba. Que outra forma de expressão é mais completa? O samba dialoga com a divindade, abraça o solo, envolve-se com águas, é verde antes da moda, vermelho antes da decepção, azul porque anteblue, amarelo porque dissidente, branco porque reunião, e negro porque um negro é um negro, é um negro, é um negro, negronoite, e a noite é a mãe de todos nós.
O capital não tem pátria. O samba tem: a alma, onde quer que ela esteja. Há os que se julgam remadores em direção ao futuro. Não sabem que o samba lhes esculpiu o barco. O fazer samba implica sempre ato de magia: é voltar. E como a essa esplêndida viagem se opõem o tempo e a ciência, o samba, encrenqueiro, volta para o futuro, numa reconquista do paraíso perdido, na qual temos que tomar conta de nossos ancestrais-bebês, sabendo que, em outro futuro próximo, as gerações vindouras chegarão para nos alimentar. Esse é o paradoxal ciclo aberto do samba. Porque o samba, mais que feitio de oração, nos ajuda a atravessar o vale da morte e das lágrimas, a lama da impunidade, o limbo das esperanças perdidas. O samba preside o nascimento e celebra o gurufim dos seres. Em linguagem cósmica, o samba estava na primeira explosão e estará no último gemido. Em todos os recantos onde nos expandimos ou onde nos confrangemos existe samba.
Heranças não pretende só recosturar tramas em direção as raízes, mas principalmente fazer com que as copas floridas se misturem e confraternizem, gerando a fecundação simultânea de idéias e ideais, cujas palavras alegre de desordem e de vento sejam: não confinar, não murar, não cercear. Que os vampiros enfiem as estacas vã-guardadeiras no solo crestado de suas próprias igrejinhas.
Muito se falou sobre liberdade de expressão, sobre a ação de patrulhas ideológicas e, no entanto, não apareceram os textos que deveriam denunciar os guetos-quilombos que se criaram devido ao isolamento, à sistemática descaracterização de nossa cultura, a violências de toda ordem, até que, exauridos, fomos entregues de bandeja a manifestações pretensamente modernas que visavam ao lucro selvagem, que fomentavam as falsas crises da nossa imbatível criatividade, religiosa, erótica, social, maior que uma arte. Alguns ingênuos foram cooptados, a preço de banana, por esse imediatismos de miçangas-pop, desmembrados no caos de uma oficina de desmonte que colhia talentos como se fossem peças de segunda mão. O que esses adoradores do presente ignoram é que samba cresce com a cachoeira e o monturo, o córrego e a vala, na cidade e no campo, na paz e na guerra.
Por quantas estradas e vielas passem as caravanas congratulatórias e o seus patrocinadores, o sambamaqui, como um cão, estará emboscado com criatividade de fato e de direito.
Fazer justiça ao camelo não significa limar o dromedário do circo. Macacas de auditório, sejam bem-vindas, mas não paguem mico!"
Aldir Blanc – Livro Heranças do Samba (Aldir Blanc, Hugo Sukman e Luiz Fernando Vianna)
"A música me ama ela me deixa fazê-la a música é uma estrela deitada em minha cama" Paulo Cesar Pinheiro
Boa noite,
A noite de sábado foi realmente especial para mim. A cidade de São Paulo já esfriava-se de um verão calorento e chuvoso e a noite fria reservava um espetáculo divino.
Paulo César Pinheiro, o homem de mais de 2 mil músicas se apresentaria no Sesc Pompéia para alguns amantes do samba. Entre os presentes no dia: Eduardo Gudin - eterno parceiro de Pinheiro - Magno, Renato Braz e outros sambistas que naqueles dias eram apenas mais um espectador.
O compositor e letrista fez um show em família. No violão o filho, no cavaco a mulher e filha e cantando a cunhada. Todos da família Rabello, conhecida pela ligação com a música e o samba. É como se o show fosse feito da sala da casa para uma platéia de desconhecidos.
O artista fez uma revisão nos seus 60 anos de vida, e começou o show com uma música que fez aos 14 anos, mostrando desde já sua genialidade. Logo em seguida entoou "Lapinha" composição que fez aos 18 anos com o também parceiro Baden Powell e que ganho o festival da Record.
No repertório as canções quase medidas pelas palavra do poeta, que entre uma canção e outra ainda declamava poemas próprios. Com sua voz rouca, seu jeito sério e sisudo, divertiu-se com a platéia quando sentiu a falta do uísque, e enquanto brincava com os filhos jovens e talentosos.
Mas mais do que isto comoveu a todos com seu sentimento profundo sobre o samba. Um samba que vem do amor, do talento e da alma deste sambista nato. Sambista das antigas que trata de sentimentos, referências românticas e um saudosismo orgulhoso.
O ponto alto da noite foi quando cantou o hino do samba "Poder da Criação" num grande coro com a platéia.
Ouvir, ler, sentir Paulo César Pinheiro é uma emoção própria e indicada a todo sambista e amante da música brasileira. Este homem que é uma história viva da música é força, é madeira maciça do samba.
Neste final de semana o samba abre suas asas e nos traz excelente opções.
Amanhã a grande surpresa será a presença do Monarco no Anhanguera Dá Samba, conforme post abaixo, e ainda teremos o show do Almir Guineto no Traço de União.
No sábado e domingo, há três excelentes shows que estão nos posts abaixo: PC Pinheiro, Francis Hime e Clécia cantando Roque Ferreira. Sem contar as rodas de samba tradicionais que também podem ser conferidas na lateral direita do blog.
Opções não faltam e o samba não pára. Salve a cervejinha, o cavaquinho e todos os "inhos" relativos ao samba.
No próximo final de semana, 27 e 28/02, acontecerá o show em comemoração aos 60 anos da carreira de Paulo Cesar Pinheiro no Sesc Pompéia.
PC Pinheiro está associado ao que de melhor a música brasileira produziu nos últimos 40 anos.
Letrista com mais de 2 mil músicas, Paulo César Pinheiro atravessou quatro gerações de parcerias, de Pixinguinha a Lenine, passando por Tom Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell, Sivuca, Edu Lobo, Francis Hime, João Nogueira e Raphael Rabello. Suas composições podem ser ouvidas nas vozes de intérpretes como Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Elis Regina, Paulinho da Viola, Nana Caymmi e Sarah Vaughn, entre muitos outros.
No repertório, canções como “Lapinha”, “Refém da Solidão” e “Quaquaraquaquá” (com Baden); Matita Perê (com Tom Jobim), Ingênuo (Pixinguinha), “Viagem” (João de Aquino), “Vento Bravo” (Edu Lobo).
Quem: Paulo Cesar Pinheiro Quando: 27 e 28/02 Horário: sáb às 21h e dom às 18h Quanto: R$ 28 inteira
O artista faz muitos poucos shows, portanto os ingressos estão concorrido, apesar de não ser muito famoso a importância e força deste sambista é de assustar ao espectador. Homem poeta, talvez o maior letrista vivo, junto a Chico Buarque. Por homenagem ao artista que posto novamente o texto que conta um pouco da sua carreira.
Personagem da semana: Paulo Cesar Pinheiro - Post escrito no dia 31/03/2009 “Voz é vento. Palavra é pensamento. E o canto é ação"
O maior poeta vivo do samba. Assim começarei este post. De forma econômica e talvez discutível. Vou falar hoje de Paulo Cesar Pinheiro:
Difícil escrever sobre um dos maiores letristas da história do samba, homem que foi casado com Clara Nunes e que era um dos compositores favoritos de Elis Regina. O mais cantado de todos os autores nacionais, talvez seja mais fácil fazer uma lista de quem não foi parceiro do homem.
Homem este que foi parceiro de gênios como João Nogueira, Baden Powell, Guinga, Eduardo Gudin, entre outros. Poeta que foi um dos poucos sambistas a lutar diretamente contra a ditadura no período militar. Este é um pouco do PC Pinheiro, dono de clássicos do samba e da música nacional, dono de letras tristes e profundas, poeta por natureza e sambista por nascença.
Paulo César Francisco Pinheiro nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1949. Morava em Angra dos Reis RJ quando fez seus primeiros versos, e foi nessa cidade que conheceu João de Aquino, seu parceiro nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964. Um ano depois, Baden Powell, primo de João de Aquino, convidou-o para escrever letras para suas músicas.
Dai surgiram os primeiros sucessos na voz de Elis, como "Lapinha", e as revanchistas "Vou deitar e rolar", "Samba do perdão" e "Aviso aos navegantes", composições onde Baden provocava a ex-esposa Teresa nos versos de PCP.
Vou deitar e rola e Aviso aos navegantes - canta Elis Regina
Logo em seguida o poeta já atraía a companhia de músicos como Francis Hime para quem fez o texto de vários movimentos na sensacional "Sinfonia de São Sebastião", recentemente gravado e vendido em DVDs.
No mesmo período(1968) ao lado de Eduardo Gudin ele se enveredaria para os festivais universitários e em seguida (1974) gravaria um dos álbuns clássicos do samba "O importante é que a nossa emoção sobreviva" que conta também com a cantora Márcia, numa clara afronta ao sistema repressivo da época. De lá se tiram temas como “Mordaça”, "Veneno", "Consideração", "Velho passarinho", "Lá se vão meus anéis" entre outros. O interessante é que em 1996 os três se reencontrariam para gravar "Tudo que mais nos uniu", outro excelente álbum.
Mordaça - canta Eduardo Gudin e Notícias dum Brasil
Em 1975 o compositor se casaria com a mineira Clara Nunes, onde colocaria de vez seu pé no samba, se unindo a dois militantes do samba: Mauro Duarte e João Nogueira que seriam sucesso na voz de Clara. De Mauro Duarte destacam-se "O canto das três raças", "Serrinha", "Portela na avenida", "Menino Deus", entre outros.
O Canto das Três Raças - canta PC Pinheiro
Com João Nogueira além de diversas composições gravou o álbum "Parceria" um dos grandes momentos da dupla. Os dois juntos tem composições de fazer inveja como: "Espelho", "Eu hein Rosa", "Minha missão", "O poder da criação", entre outros.
Espelho - canta Diogo Nogueira
Militante em várias frentes também escreveu diversos livros, compôs com Tom Jobim (Matita Perê), Edu Lobo e se tornou cantor. Dono de voz boêmia, que brincava ser igual do Nelson Cavaquinho, ele tira as torturas da alma e a beleza do samba.
Paulo Cesar é pinheiro, é destas nobres madeiras que duram e fazem a estrutura do samba. Como diria o poeta: "O que faz ser eterno um bom samba / É a beleza que tem seu lamento". E que tenhamos muito a que lamentar.
Dando continuidade ao post iniciado ontem, hoje é dia de apresentar os shows e sambas pela cidade.
Na lateral direita do blog, como de praxe, poderão ser vistos alguns dos shows que acontecerão no mês de fevereiro que já estão sendo divulgados. O mês de fevereiro, devido ao carnaval, acaba perdendo um pouco a quantidade de shows de samba, devido ao envolvimento que os artistas e toda população brasileira tem com a grande festa.
O grande destaque do mês, sem dúvida, é o show do raríssimo Paulo Cesar Pinheiro. O artista é, na minha opinião, um dos maiores letristas de samba vivo, junto a Chico Buarque, Aldir Blanc e alguns outros poucos expoentes. Paulo Cesar Pinheiro é parte viva do samba e parceiro de artistas como João Nogueira, Baden Powell, entre outros. Ao longo de mais de 50 anos de carreira, tem mais de 700 músicas gravadas por todos grandes intérpretes do samba. Letrista de primeira e um dos grandes defensores do samba o artista se apresenta no Sesc Pompéia. Imperdível!
Outros destaque da programação é o show do Francis Hime. O maestro Francis Hime possui mais de quinze discos e dvds lançados. É parceiro de grandes nome da música brasileira, como o prório Paulo Cesar Pinheiro, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulinho da Viola e outros. Entre suas composições, destacam-se aquelas feitas em parceria com Chico Buarque, tais como: "Vai passar", "Atrás da porta", "Luíza", "Trocando em miúdos". Clássicos da música brasileira e do samba.
Para os chorões, a agenda do samba também se estende por diversos choros pela cidade, como no Sesc Santana ou no Auditório Ibirapuera. Além disto haverão show da Dona Inah, Samba da Vela, Guinga, Kiko Dinucci e demais shows que acontecerão e surgirão pela semana.
Outra novidade poderá ser conferida amanhã no blog, com o surgimento de um novo tópico em substituição ao de ensaios do carnaval. A partir de amanhã o Samba Cidade apresentará também os sambas que ocorrem periodicamente pela cidade e que não tem destaque nos posts semanais.
Para quem, como eu, imaginava um dezembro com sambas leves, a agenda vem mostrando ao contrário, e tenho mais algumas novidades que acontecerão nesta semana.
Ontem aconteceu um show dos grandes e peço desculpa por não ter conseguido comunicar a tempo. O show reuniu Paulo Cesar Pinheiro, um dos mais importantes letristas do Brasil com a majestosa Fabiana Cozza.
No Bar Brasileirinho, que desconheço, acontecerão grandes atrações como o Mestre Monarco no sábado e Sobrinha no domingo. Estou encaminhando o site, e caso alguém conheça o bar e queira comentar, seria bem vindo. O mesmo mestre Monarco se apresenta na sexta-feira no Bar Samba.
O grupo Quinteto em Branco e Preto tem jornada dupla no domingo, se apresentando a tarde no CCJ Ruth Cardoso e a noite na casa Vila Barroca em Santo André.
Para complementar a excelente semana, ainda pode-se conferir o show do Jorge Ben no SESC Pompéia e Hamilton de Holanda no Auditório Ibirapuera.
Quem: Sombrinha Quando: 20/12 Onde: Bar Brasileirinho
Quem: Quinteto em Branco e Preto Quando: 20/12 Onde: CCJ Ruth Cardoso e Vila Barroca – respectivamente: Av.Deputado Emílio Carlos, 3.641 e Rua Padre Manoel da Nóbrega, 414, em Santo André. http://ccjuve.prefeitura.sp.gov.br/
"Não me incomodo que fumes Podes mesmo te servir à vontade do meu frigobar Ou levar um souvenir Dispõe do meu telefone Desejando, liga o interurbano pra qualquer lugar E apaga a luz ao sair"
Este é o tom que encontrará quem comparecer ao Vila do Samba no domingo. Um samba dolente, malandro, com cheiro de tradição e malícia.
Wilson das Neves é um conhecido músico (baterista e percussionista) que acompanhou grandes cantores brasileiros como Elis Regina, Elizeth Cardoso, Roberto Carlos e Chico Buarque.
Ele que compôs com Chico Buarque a música escrita acima e que tem como parceiro costumeiro o grande letrista Paulo Cesar Pinheiro se apresenta neste domingo na Zona Norte de SP.
Wilson nos faz recordar da tradição dos antigos crooners que entoavam canções com muita elegância e com o vozeirão aveludado. É destes sambistas que carrega consigo a corrente do samba, mas nunca se distanciando do seu presente.
Vale a pena conferir o show.
Quem: Wilson das Neves Onde: Vila do Samba Quando: 28/06 - 16h Quanto: M R$ 10 e H R$15
"Voz é vento. Palavra é pensamento. E o canto é ação"
O maior poeta vivo do samba. Assim começarei este post. De forma econômica e talvez discutível. Vou falar hoje de Paulo Cesar Pinheiro:
Difícil escrever sobre um dos maiores letristas da história do samba, homem que foi casado com Clara Nunes e que era um dos compositores favoritos de Elis Regina. O mais cantado de todos os autores nacionais, talvez seja mais fácil fazer uma lista de quem não foi parceiro do homem.
Homem este que foi parceiro de gênios como João Nogueira, Baden Powell, Guinga, Eduardo Gudin, entre outros. Poeta que foi um dos poucos sambistas a lutar diretamente contra a ditadura no período militar. Este é um pouco do PC Pinheiro, dono de clássicos do samba e da música nacional, dono de letras tristes e profundas, poeta por natureza e sambista por nascença.
Paulo César Francisco Pinheiro nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1949. Morava em Angra dos Reis RJ quando fez seus primeiros versos, e foi nessa cidade que conheceu João de Aquino, seu parceiro nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964. Um ano depois, Baden Powell, primo de João de Aquino, convidou-o para escrever letras para suas músicas.
Dai surgiram os primeiros sucessos na voz de Elis, como "Lapinha", e as revanchistas "Vou deitar e rolar", "Samba do perdão" e "Aviso aos navegantes", composições onde Baden provocava a ex-esposa Teresa nos versos de PCP.
Vou deitar e rola e Aviso aos navegantes - canta Elis Regina
Logo em seguida o poeta já atraía a companhia de músicos como Francis Hime para quem fez o texto de vários movimentos na sensacional "Sinfonia de São Sebastião", recentemente gravado e vendido em DVDs.
No mesmo período(1968) ao lado de Eduardo Gudin ele se enveredaria para os festivais universitários e em seguida (1974) gravaria um dos álbuns clássicos do samba "O importante é que a nossa emoção sobreviva" que conta também com a cantora Márcia, numa clara afronta ao sistema repressivo da época. De lá se tiram temas como "Veneno", "Consideração", "Velho passarinho", "Lá se vão meus anéis" entre outros. O interessante é que em 1996 os três se reencontrariam para gravar "Tudo que mais nos uniu", outro excelente álbum.
E lá se vão meus anéis - canta Eduardo Gudin
Em 1975 o compositor se casaria com a mineira Clara Nunes, onde colocaria de vez seu pé no samba, se unindo a dois militantes do samba: Mauro Duarte e João Nogueira que seriam sucesso na voz de Clara. De Mauro Duarte destacam-se "O canto das três raças", "Serrinha", "Portela na avenida", "Menino Deus", entre outros.
O Canto das Três Raças - canta PC Pinheiro
Com João Nogueira além de diversas composições gravou o álbum "Parceria" um dos grandes momentos da dupla. Os dois juntos tem composições de fazer inveja como: "Espelho", "Eu hein Rosa", "Minha missão", "O poder da criação", entre outros.
Espelho - canta Diogo Nogueira
Militante em várias frentes também escreveu diversos livros, compôs com Tom Jobim (Matita Perê), Edu Lobo e se tornou cantor. Dono de voz boêmia, que brincava ser igual do Nelson Cavaquinho, ele tira as torturas da alma e a beleza do samba.
Paulo Cesar é pinheiro, é destas nobres madeiras que duram e fazem a estrutura do samba. Como diria o poeta: "O que faz ser eterno um bom samba / É a beleza que tem seu lamento". E que tenhamos muito a que lamentar.
O Samba é meu dom Composição: Wilson Das Neves / Paulo Cesar Pinheiro
O samba é meu dom Aprendi bater samba ao compasso do meu coração De quadra, de enredo, de roda, na palma da mão De breque, de partido alto e o samba canção
O samba é meu dom Aprendi dançar samba vendo samba de pé no chão No Império Serrano a escola da minha paixão No terreiro, na rua, no bar, gafieira e salão
O samba é meu dom Aprendi cantar samba com quem dele fez profissão Mário Reis, Vassourinha, Ataulfo, Ismael, Jamelão Com Roberto Silva, Sinhô, Gonga, Ciro e João Gilberto
O samba é meu dom Aprendi muito samba com quem sempre fez samba bom Silas, Zinco, Aniceto, Anescar, Cachinê, Jaguarão Zé com Fome, Herivelto, Marçal, Mirabeau, Henricão
O samba é meu dom E no samba que eu vivo do samba que eu ganho meu pão E é no samba que eu quero morrer de baquetas na mão Pois quem é do samba meu nome não esquece mais não
Hoje vou falar deste cara Madeira, figura emblemática do samba, um dos sambistas mais completos da história do samba e de quem sou particularmente admirador.
João Nogueira nasceu no dia 12 de novembro de 1941 e com 17 anos já era diretor de um bloco carnavalesco no Méier, mostrando que se tornaria um dos defensores dos blocos cariocas e da tradição do samba.
Com 30 anos figurou entre a ala dos compositores da Portela e só saiu da Escola para fundar uma nova escola: Tradição. Além disto fundou um dos blocos que até hoje é sucesso na voz de seus filhos, o Clube do Samba, que inclusive é um hit do samba.
Nogueira se projetou na emergência do samba dos anos 70 e ficou marcado pelo estilo particular, calcado na ginga, suíngue e o vozeirão cadenciado que toca a alma.
No meu modo de ver fez de um dos grandes álbuns de samba, Parceria, um show ao vivo com o genial letrista e sambista Paulo Cesar Pinheiro. No total gravou 18 álbuns e construiu parcerias com diversos outros sambistas de peso.
O "sambista de calçada", como ele se apelidava, foi em paz e praticou seu credo musical até a última nota, e como disse Tárik de Souza, "o gênero perdeu ao mesmo tempo um ourives de alto refino e um militante de rua". João Nogueira é nó na madeira, é homem de um braço só, é espelho e é minha missão.
Músicas indispensáveis: Súplica, Minha Missão, Eu hein Rosa, Nó na Madeira, Batendo a porta, Um ser de luz, E lá vou eu, e muita muitas mais.
Na quinta-feira passada estive no Sesc Pompéia para ver o show do Elton Medeiros e Márcia, em homenagem aos 100 anos de Cartola.
O Velho Elton, se mostra muito frágil, mas a força de seu samba arrepia, e saber que ele é um dos elos que não deixa esta corrente morrer o torna ainda mais gratificante. Homem que compôs com Cartola e hoje em dia compõe com Paulinho da Viola precisa de títulos?
Márcia é a mesma cantora do famoso show dos anos 70 "O importante é que nossa emoção sobreviva". Quem não conhece vale a pena conferir o show que celebrou a dupla Gudin e PC Pinheiro, além de ser um marco de resistência contra o regime da época.
Segue apenas uma canção gravada no celular, um clássico de Carola cantado por Elton Medeiros.
Nesta quinta-feira, 06/11, acontece no Studio SP a apresentação do veterano bateirista Wilson das Neves.
Se não bastasse ser o bateirista oficial do Chico Buarque, é também um ótimo compositor, e tem se saído muito bem como cantor, lembrando os antigos crooners.
O local, reduto dos moderninhos de São Paulo verá composições de Wilson das Neves com dois dos maiores letristas brasileiro: Paulo Cesar Pinheiro e Chico Buarque.
No vídeo pode-se ver a parceria com o Chico, um excelente samba a moda antiga.
Onde: Studio SP - Rua Augusta, 591 - Centro. Horário: A portaria abre às 22h, mas o show só começa às 0h Entrada: R$ 25,00 (inteira), R$ 15,00 (com nome na lista) Para incluir seu nome na lista, envie um e-mail para studiosp@studiosp.org Mais informações pelo telefone: (11) 3129-7040