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terça-feira, 7 de julho de 2009

Centésimo post


Boa noite,

Chego hoje ao centésimo post neste blog, algo que me enche de orgulho e esperanças. Este apanhado de idéias, percepções e dicas, nada mais é que uma extensão da minha paixão pelo samba e pela música brasileira. Se está sendo útil ou divertindo alguém, ótimo.

Me sinto orgulhoso cada vez que alguém comenta sobre o blog ou sobre algum post. Somos poucos e muitos ao mesmo tempo, o bom samba ganha espaço e a turma vai ficando cada vez maior.

Sem maiores pretensões pretendo continuar escrevendo aqui por longa data, e sintam-se a vontade para fazer parte desta grande roda. Sintam-se a vontade para entrar sem bater, indicar algum show, algum CD ou alguma nova roda na cidade.

Como o samba é uma grande paixão, não consigo não falar dele, não pensar nele, não dividir isto com quer que esteja interessado. Por isto parafraseio Fundo de Quintal e "aconselho a vocês, sejam sambista também".

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Personagem da semana - Elza Soares


Boa noite,

Depois de algum tempo escrevendo apenas sobre as atrações, hoje farei uma mistura de agenda com biografia, e para falar de uma artista muito especial: Elza Soares.

Elza Soares nasceu em 1937 no Rio de Janeiro. Criada em Engenho de Dentro a filha de uma lavadeira e de um operário cantava, desde criança, e já destacava pela voz rouca e o ritmo sincopado muito comum entre os sambistas da região.

Precoce, a cantora foi mãe pela primeira vez aos 12 anos de idade. Trabalhou como lavadeira e operária e, apenas com 20 anos, fez seu primeiro teste como cantora e dali para frente nunca mais parou.

Em 1958 a cantora viveu seu primeiro grande momento, indo à Argentina com Mercedes Batista, para uma temporada de oito meses. Tornou-se popular com sua primeira música "Se Acaso Você Chegasse"(Lupicínio Rodrigues e Felisberto Martins), na qual introduziu o scat¹ a la Louis Armstrong, adicionando um pouco de jazz ao samba, algo impensável para época. Daí então sua carreira deslanchou com grandes sucessos e a cantora apresentava ao mesmo tempo sua excelente interpretação de músicas e bossas, aliado a presença de palco e a beleza que sempre teve.

Em 1962, como artista representante do Brasil na Copa do Mundo, que se realizava em Santiago, Chile, cantou ao lado do representante norte-americano, Louis Armstrong. Nessa época ficou conhecendo o futebolista Garrincha, com quem casaria mais tarde e esta história pode ser muito bem compreendida para quem ler o excelente “Estrela Solitária” do Ruy Castro, que conta a vida de Garrincha de uma forma emocionante. Com Garrincha teve um filho que morreuo aos 6 anos num acidente de carro, em que ela dirigia, na Lagoa, na cidade do Rio de Janeiro. Depois disso revelou que nunca mais quis ter filhos.

Elza Soares teve inúmeras músicas no topo das listas de sucesso no Brasil ao longo de sua carreira; alguns dos maiores sucessos incluem: "Se Acaso Você Chegasse", "Boato" , "Cadeira Vazia", "Só Danço Samba" , "Mulata Assanhada", "Aquarela Brasileira", entre diversos outros.

Em 2002, o álbum Do Cóccix Até O Pescoço garantiu-lhe uma indicação ao Grammy. O disco foi muito bem recebido pelas críticas da imprensa da música e divulgou uma espécie de quem é quem de artistas brasileiros que com ela colaboraram: Caetano Veloso, Chico Buarque, Carlinhos Brown e Jorge Ben Jor, entre outros. O lançamento impulsionou numerosas e bem-sucedidas turnês pelo mundo. Elza Soares novamente estava no topo da música mundial, e o álbum, na minha humilde opinião é um dos melhores cantora.

Indico a todos um filme que se chama “Chega de Saudade” onde a cantora faz a parte musical e participa do filme. O filme é lindo e conta a história dos bailes de gafieiras e desta geração que não deixa morrer o passado. A obra é dirigida pela excelente Laís Bodansk – mesma diretora do Bicho de Sete Cabeças.

Para quem é mais jovem, Elza é muito lembrada por seu visual extravagante e pela pele esticada, mas poucos realmente conhecem sua importância e referência como cantora brasileira, tendo influenciado cantoras como Elis Regina entre outras intérpretes. Elza é um pedaço do tempo que o samba carrega, uma força que principia e a energia da mulata dos anos 50 que ela insiste em não deixar apagar.

1 – Scat: é uma técnica de canto que consiste em se cantar vocalizando tanto sem palavras, quanto com palavras sem sentido e sílabas (e.g. "La dum ba dum pa"), como usado por cantores de jazz que criam o equivalente de um solo instrumental apenas usando a voz.


Elza se apresenta no final do mês no Sesc Vila Mariana, mas assim como fiz com a Mart´nália, aviso antes, pois os ingressos se esgotam rapidamente.

Quem: Elza Soares
Quando: 24, 25 e 26/07
Onde: Sesc Vila Mariana
Quanto: R$ 30 inteira

Elza Soares cantando



Trailer "Chega de Saudade"

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Agenda de Julho


Boa noite,

Sinceramente ao fazer este post não soube por onde começar. Um mês frio como este nos reservou gratas surpresas e shows imperdíveis, e para todos os gostos, que podem ser conferidos na agenda ao lado.

São diversas boas opções que fica difícil indicar aqui os principais destaques. Do partido ao choro, dos mais populares aos iniciantes, dos jovens aos velhos, atrações não faltarão neste mês.

Por exemplo no final de semana do dia 24 será difícil decidir entre a clássica e eterna Elza Soares, o jovem Diogo Nogueira ou então a família do samba, formada por Monarco, Mauro, Marcos e Juliana Diniz. Realmente é se programar, planejar para não ficar fora desta festa.

Começamos o mês com a disputada Mart'nália no Sesc Pompéia - salve o SESC! - e logo em seguida, no mesmo SESC, o lançamento do primeiro CD da Graça Braga. Além de um especial de choros com grandes músicos.

Pelos meados do mês ainda teremos nada menos que o fantástico João Donato e a afinadíssima Joyce. Além de Mônica Salmaso, Fabiana Cozza, etc.

Termino este feliz post com uma música sucesso na voz de Beth Carvalho que resume bem o mês:

"Aproveita hoje que a vida é uma só,
e o amanhã quem sabe se é melhor ou pior
deixa correr solto que esquentar não é legal.."

sábado, 27 de junho de 2009

Wilson das Neves


"Não me incomodo que fumes
Podes mesmo te servir à vontade do meu frigobar
Ou levar um souvenir
Dispõe do meu telefone
Desejando, liga o interurbano pra qualquer lugar
E apaga a luz ao sair"


Este é o tom que encontrará quem comparecer ao Vila do Samba no domingo. Um samba dolente, malandro, com cheiro de tradição e malícia.

Wilson das Neves é um conhecido músico (baterista e percussionista) que acompanhou grandes cantores brasileiros como Elis Regina, Elizeth Cardoso, Roberto Carlos e Chico Buarque.

Ele que compôs com Chico Buarque a música escrita acima e que tem como parceiro costumeiro o grande letrista Paulo Cesar Pinheiro se apresenta neste domingo na Zona Norte de SP.

Wilson nos faz recordar da tradição dos antigos crooners que entoavam canções com muita elegância e com o vozeirão aveludado. É destes sambistas que carrega consigo a corrente do samba, mas nunca se distanciando do seu presente.

Vale a pena conferir o show.

Quem: Wilson das Neves
Onde: Vila do Samba
Quando: 28/06 - 16h
Quanto: M R$ 10 e H R$15

O intérprete e compositor:



O músico:

terça-feira, 3 de março de 2009

Saudades e cinzas


Boa noite,

Mais uma vez vou pedir licença neste blog para divulgar algo autoral.

O texto abaixo pode ser encontrado em outros dois sites:

http://www.guiadeconcursosliterarios.com.br
http://www.diariodemococa.com.br/

Obrigado!

Saudades e cinzas

O dia mal amanhecia e as sobras da serpentina já se transformavam em um grande emaranhado de sujeira e chorume na beira da calçada. Os pés sujos e cheios de bolhas faziam o contraste com o lençol limpo da cama. O corpo suado por baixo da fantasia agradava ao ser, por mais estranho que isto possa parecer.

As pedras da rua da cidade, o banco da praça, a corneta falecida no bojo da maleta faziam o tom da despedida. As almas voltavam a sua normalidade enquanto os sapatos, camisas e tons sérios vestiam o cotidiano passado. Tudo ficava cinza naquela quarta-feira ensolarada, e por mais que se tentasse não havia como esquecer as fantasias, os sonhos e a vida exacerbada.

Há quem diga que toda esta descrição não passa de uma ilusão, uma festa irracional, não passa de uma vazia exacerbação da libido e da bebida, sem se atentar que pode ser muito mais do que isto.

O carnaval é uma afronta as rígidas regras e ao sistema hierarquizado da sociedade brasileira. Afinal de contas se analisarmos os outros feriados como os militares, católicos e governamentais, notaremos que são apenas dias livres, mas sem grande sentido de comemoração. São dias de formalidades, honrarias e outros méritos que divulgam o status das pessoas, da sociedade e explicitam a hierarquia e um retrato de formal de nós mesmo, enquanto o carnaval se revela como o extremo oposto.

No carnaval todos somos igualitários e, nos quatro dias de festas, transpomos para o mundo real os ideais das relações espontâneas. O carnaval rejeita o sistema social como um todo, criando seu próprio espaço de vida e seus próprios valores durante o período em que acontece.

Muitos dizem que a cultura carnavalesca foi massificada com os grandes desfiles, com os blocos em Salvador divididos por cordões de isolamento, com o repórter em Olinda mostrando o Frevo e o Mamulengo na TV Globo. Eu credito a estes críticos todo meu respeito, e até me solidarizo, mas o sentimento provocado nas milhões de pessoas que se inebriam de prazer e felicidade, as ruas cheias de cantorias e alegria, ainda é o prioritário em toda esta discussão.

Não acredito na fracassomania que alguns críticos têm da cultura brasileira. Que o carnaval – mesmo espontâneo e criativo – que gera lucro seja tão ruim assim. Ou vamos preferir que o Brasil seja um país que tenha sempre sua cultura aliada a pobreza e a miséria? Ou não podemos aproveitar nossa cultura para movimentar a economia e transformar ainda mais o país?

A sociedade arde no fogo do carnaval e isto é um fato consumado. Grandes manifestações legitimamente brasileiras acontecem ao ritmo desta festa. Soem as trombetas das marchinhas, a guitarra do axé, o surdo das baterias. Quem quiser que pegue suas malas e se esconda em algum lugar. A quarta-feira é de cinzas, mas a quinta-feira será sempre de esperança.

“Quem me dera viver para ver
E brincar outros carnavais
Com a beleza dos velhos carnavais”
Vinícius de Moraes e Carlos Lyra

Texto de Renato Rotta