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terça-feira, 20 de julho de 2010

10 anos de Samba da Vela - Prestação de Contas


Boa noite,

Ontem fui às festividades dos 10 anos do Samba da Vela e a festa foi prá lá de animada. Ao chegar já sentamos nos bares em volta do Centro Cultural Santo Amaro, ali bem do lado do Largo do Socorro.

Oficinas mecânicas, chaveiros ainda permaneciam abertos, mas o que pegava mesmo era o bar em frente ao samba, recheado de sambistas como Vó Susana, Nananã da Mangueira, Casca do Quinteto e demais amantes do samba.

O esquenta se faz necessário, já que dentro do Samba da Vela a bebida não é permitida, ao meu ver corretamente, pelo que se propõe o samba. A fila era enorme, e a entrada de R$ 5,00 promoveria um samba que ficará marcados aos presentes.

Paquera, Chapinha, Magnu, Maurílio, Nino Miau, e outros integrantes fixo do samba estavam emocionados com a projeção que o samba conquistou, e com os longos 10 anos alcançados, e se podia ver nos olhos dos presentes o mesmo orgulho, estes presentes que são na maioria pessoas da região, e que são ligadas ao samba.

Como convidados Osvaldinho da Cuíca, Tobias da Vai Vai, Leci Brandão, que faziam a roda com os demais. Além da presença de autoridades públicas de cultura.

Tudo armado para um dia especial, todas aquelas pessoas batendo as mãos neste rito que é o Samba da Vela, e mais sambas para ficarem guardados na memória e emoções para serem relembradas.

O Samba da Vela é de Santo Amaro, é da Zona Sul, é de São Paulo. É mostra original de uma cultura que nasce das entranhas desta cidade tão criticada, mas tão adorada.

Que a divina luz da vela continue formando sambas e pessoas.

"O poeta falou que São Paulo enterrou o samba
Que não tinha gente bamba, e não entendi por que.
Fui na Barra Funda, fui lá no Bixiga, fui lá na Nenê,
me desculpe poeta, mas discordo de você"






domingo, 28 de fevereiro de 2010

Prestação de contas - Paulo César Pinheiro


"A música me ama
ela me deixa fazê-la
a música é uma estrela
deitada em minha cama"

Paulo Cesar Pinheiro

Boa noite,

A noite de sábado foi realmente especial para mim. A cidade de São Paulo já esfriava-se de um verão calorento e chuvoso e a noite fria reservava um espetáculo divino.

Paulo César Pinheiro, o homem de mais de 2 mil músicas se apresentaria no Sesc Pompéia para alguns amantes do samba. Entre os presentes no dia: Eduardo Gudin - eterno parceiro de Pinheiro - Magno, Renato Braz e outros sambistas que naqueles dias eram apenas mais um espectador.

O compositor e letrista fez um show em família. No violão o filho, no cavaco a mulher e filha e cantando a cunhada. Todos da família Rabello, conhecida pela ligação com a música e o samba. É como se o show fosse feito da sala da casa para uma platéia de desconhecidos.

O artista fez uma revisão nos seus 60 anos de vida, e começou o show com uma música que fez aos 14 anos, mostrando desde já sua genialidade. Logo em seguida entoou "Lapinha" composição que fez aos 18 anos com o também parceiro Baden Powell e que ganho o festival da Record.



No repertório as canções quase medidas pelas palavra do poeta, que entre uma canção e outra ainda declamava poemas próprios. Com sua voz rouca, seu jeito sério e sisudo, divertiu-se com a platéia quando sentiu a falta do uísque, e enquanto brincava com os filhos jovens e talentosos.

Mas mais do que isto comoveu a todos com seu sentimento profundo sobre o samba. Um samba que vem do amor, do talento e da alma deste sambista nato. Sambista das antigas que trata de sentimentos, referências românticas e um saudosismo orgulhoso.



O ponto alto da noite foi quando cantou o hino do samba "Poder da Criação" num grande coro com a platéia.



Ouvir, ler, sentir Paulo César Pinheiro é uma emoção própria e indicada a todo sambista e amante da música brasileira. Este homem que é uma história viva da música é força, é madeira maciça do samba.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Prestação de contas: Elza Soares


Boa tarde,

Saí de casa por volta das 20h para ir ao show da Elza. O evento ocorreria no Teatro Fecap, na região central da cidade, bem próximo à Estação Liberdade do Metrô. Fui buscar minha companhia e pelo caminho encontrei uma das maiores dificuldades do paulistano no momento, o trânsito agravado por uma árvore gigante e feia próximo ao Ibirapuera, e ao mesmo tempo o trânsito formado pelas pessoas que vão à Paulista ver as luzes de natal. Nada contra o natal, mas convenhamos que estas coisas poderiam ser melhor organizadas tanto pelo governo, quanto por nós.

A expectativa pelo show era muito grande, Elza é destas artistas que os fãs de música costumam comentar que é a conhecida “boa de palco”, algo parecido com “boa de cama”, porém para as questões musicais e artísticas. Outros nomes se encaixam neste perfil, e tem seus ingressos esgotados quando surge um show: Maria Bethânia, Luiz Melodia, Ney Matogrosso, entre outros.

Mesmo com a chuva forte que assolava a cidade e o trânsito caótico e desproporcional para um sábado à noite, conseguimos chegar ao show a tempo de pegarmos nossos lugares e aguardar a presença da cantora.

As luzes se apagaram de lá surgiram o excelente violonista e compositor João de Aquino, junto ao seu prodigioso filho também violonista, e de um percussionista interessante por sua árvore genealógica, uma vez que o “moleque” era neto de Donga, conhecido precursor do samba.

Iniciaram o show apenas os três músicos, num instrumental de um clássico de Dorival Caymmi. A cantora só viria na próxima música, ajudada por sua equipe, pois tinha o tornozelo torcido e não conseguia nem se manter em pé. No centro do palco uma poltrona fora posicionada para que a cantora se sentasse e fizesse o show.

Elza estava com seu costumeiro visual arrojado: um vestido longo vermelho, sobrancelhas postiças, a boca avermelhada, e acima um pinta negra. Lembrava as antigas divas dos anos 50 com o coque propositalmente bagunçado sobre a cabeça.

A cantora se sentou de forma provocativa sob a poltrona reclamando de não poder ficar de pé e fazer o show como gostava, uma vez que se autointitula hiperativa. Quem pensava que o show seria diminuído por esta limitação logo foi se dissipando da idéia com a primeira canção da cantora.

A voz desta mulher que se eterniza na música nacional é única, uma força que derruba as expectativas de qualquer ouvinte, tamanha a naturalidade e a técnica apresentada. Transformando músicas conhecidas do cancioneiro popular brasileiro, em novas obras primas, devido à interpretação e emoção incluídas nas músicas.

O repertório eclético vai de Johnny Alf à composições de Lulu Santos, do clássico Dorival Caymmi ao sambista Jorge Aragão, sempre com através de uma forma própria de interpretação, carregado de suingue, negritude, numa mistura de blues, samba, jazz e das raÍzes desta cantora provinda de Padre Miguel.

Durante a apresentação o músico João de Aquino e Elza mostram intimidade e um humor divertidíssimo das histórias da música popular brasileira. A platéia acompanhava o tom intimista do show como cúmplice desta amizade.

O show se desenrolou com canções rasgantes na voz e na força desta mulher com uma história de vida única tamanha sua força e capacidade de enxergar a importância da mulher bem à frente do seu tempo.

O show foi impressionante, e por um baixo valor acabei assistindo um dos melhores shows do ano – em minha opinião. Interessante é se perguntar por que uma artista como esta fica fora da mídia, muito mais preocupada com seus namoros com garotões e nas suas últimas plásticas do que com a incrível performance que ela consegue imprimir nos palcos.

Elza e suas manifestações são o retrato de um Brasil ainda imaturo, que ao mesmo tempo apresenta talento, criatividade, técnica, mas que muitas vezes se deixa sucumbir pela falta de foco , pelo pré julgamento e pelo pensamento antiquado em alguns aspectos sociais.

Obrigado Elza por sua ousadia, sua originalidade e sua paixão em fazer-nos apaixonar por você.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Prestação de contas: Nei Lopes no Bar Samba



Boa noite,

Ontem fui ao Bar Samba. Casa de shows de samba, simpática que fica na Fidalga e que tem uma decoração linda. Apesar de achar a casa cara, e com muitos "turistas" do samba.

Havia um motivo especial para estar lá, o mestre Nei Lopes lancaria seu novo livro em SP e além disto promoveria uma apresentação na roda que acontece as sextas com o excelente grupo Dose Certa.

Nei Lopes chegou por volta das 23h, e a casa estava cheia, talvez não tanto para ver o show do mestre, mas estava cheia, tanto que verão nos vídeos que enquanto o aetista falava o pessoal continuava a conversar e fazer muito barulho.

Cantor, compositor, historiador, o mestre recebeu o prêmio Jabuti por ter escrito o melhor livro didático de 2008 e na noite de ontem que ganhou o troféu que até então não havia visto.

No show repertório clássicos do samba e a tradicional levada do samba falado que o caracteriza, sempre com muito bom humor e observação do cotidiano brasileiro.

Nei Lopes é deste senhores típicos do samba carioca. Falante, engraçado e com muitas histórias para contar, como a que gravei, que fala sobre as abas de chapéu e o sambista. Com camisas do estilo Agostinho da Grande Família, um dos maiores sambistas do estilo sincopado e partido alto,Nei mostrou seu valor e botou a galera para sambar. Não bastasse este dom, ainda lançou seu primeiro romance e esbanjou simpatia ao atender quem quisesse um autógrafo.

Vida longa ao Nei!

Em tempo o livro chama-se: “Mandingas da mulata velha na cidade nova". Confira

Nei Lopes conta porque é um otário com sorte


Nei Lopes canta "Sambista Perfeito"



Nei Lopes canta "Só chora quem ama" e "Boteco do Arlindo"

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Prestação de Contas - Banda Moinho

Senhores,

Fui ontem ao SESC Pompéia curtir o show da Banda Moinho e novamente me diverti a beça com a banda que toca músicas dançantes e é agitada pelo trio de ferro: Emanuelle Araújo, Lan Lan e Toni Costa.

Eles lançaram seu primeiro CD e vale a pena conferir.

Segue vídeo feito com a música "Baleia" e "Cada macaco no seu galho".