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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Quinteto em Branco e Preto canta João Nogueira no Você Vai Se Quiser‏


“Meu samba sempre foi tirado do peito,
Quando sai, já sai do meu jeito
Com malícia e opinião”

Boa noite,

É com estes belos versos que começo o post desta noite. Post aliás dos mais felizes que faço aqui no SambaCidade. Isto porque no dia 28/01 o grupo Quinteto em Branco e Preto faz uma apresentação apenas com canções do mestre João Nogueira no Você Vai Se Quiser.

João Nogueira já foi um dos homenageados do blog conforme pode ser conferido no link. Grande compositor, letrista, intérprete, agitador cultural, fundador de escola de samba e do bloco Clube do Samba. Parceiro de diversos feras como Paulo Cesar Pinheiro, compôs para Beth, Clara Nunes, Roberto Ribeiro e outros grandes intépretes do samba.

Como tem se tornado uma excelente rotina, na última quinta-feira do mês, o grupo Quinteto em Branco e Preto faz uma justa homenagem a grandes nomes do samba. Sendo que já foram homenageados Luis Carlos da Vila, Candeia e agora é a vez de João Nogueira. O Quinteto em Branco e Preto já foi divulgado muitas vezes neste blog e dispensa apresentações. Vou apenas colocar dois vídeos do último encontro para sentirem o samba.

O show acontecerá em uma das melhores casas de samba de São Paulo, o Você Vai Se Quiser. A casa fica no centro da cidade e carrega consigo a força dos samba atual. Sob o comando da Diva Graça Braga e Edvaldo Galdino tem se projetado como um dos pontos de encontro do samba.

Quem: Quinteto em Branco e Preto cantam João Nogueira
Quando: 28/01
Onde: Você Vai Se Quiser
Horário: 20h



terça-feira, 31 de março de 2009

Personagem da semana: Paulo Cesar Pinheiro


"Voz é vento. Palavra é pensamento. E o canto é ação"

O maior poeta vivo do samba. Assim começarei este post. De forma econômica e talvez discutível. Vou falar hoje de Paulo Cesar Pinheiro:

Difícil escrever sobre um dos maiores letristas da história do samba, homem que foi casado com Clara Nunes e que era um dos compositores favoritos de Elis Regina. O mais cantado de todos os autores nacionais, talvez seja mais fácil fazer uma lista de quem não foi parceiro do homem.

Homem este que foi parceiro de gênios como João Nogueira, Baden Powell, Guinga, Eduardo Gudin, entre outros. Poeta que foi um dos poucos sambistas a lutar diretamente contra a ditadura no período militar. Este é um pouco do PC Pinheiro, dono de clássicos do samba e da música nacional, dono de letras tristes e profundas, poeta por natureza e sambista por nascença.

Paulo César Francisco Pinheiro nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1949. Morava em Angra dos Reis RJ quando fez seus primeiros versos, e foi nessa cidade que conheceu João de Aquino, seu parceiro nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964. Um ano depois, Baden Powell, primo de João de Aquino, convidou-o para escrever letras para suas músicas.

Dai surgiram os primeiros sucessos na voz de Elis, como "Lapinha", e as revanchistas "Vou deitar e rolar", "Samba do perdão" e "Aviso aos navegantes", composições onde Baden provocava a ex-esposa Teresa nos versos de PCP.

Vou deitar e rola e Aviso aos navegantes - canta Elis Regina


Logo em seguida o poeta já atraía a companhia de músicos como Francis Hime para quem fez o texto de vários movimentos na sensacional "Sinfonia de São Sebastião", recentemente gravado e vendido em DVDs.

No mesmo período(1968) ao lado de Eduardo Gudin ele se enveredaria para os festivais universitários e em seguida (1974) gravaria um dos álbuns clássicos do samba "O importante é que a nossa emoção sobreviva" que conta também com a cantora Márcia, numa clara afronta ao sistema repressivo da época. De lá se tiram temas como "Veneno", "Consideração", "Velho passarinho", "Lá se vão meus anéis" entre outros. O interessante é que em 1996 os três se reencontrariam para gravar "Tudo que mais nos uniu", outro excelente álbum.

E lá se vão meus anéis - canta Eduardo Gudin


Em 1975 o compositor se casaria com a mineira Clara Nunes, onde colocaria de vez seu pé no samba, se unindo a dois militantes do samba: Mauro Duarte e João Nogueira que seriam sucesso na voz de Clara. De Mauro Duarte destacam-se "O canto das três raças", "Serrinha", "Portela na avenida", "Menino Deus", entre outros.

O Canto das Três Raças - canta PC Pinheiro


Com João Nogueira além de diversas composições gravou o álbum "Parceria" um dos grandes momentos da dupla. Os dois juntos tem composições de fazer inveja como: "Espelho", "Eu hein Rosa", "Minha missão", "O poder da criação", entre outros.

Espelho - canta Diogo Nogueira


Militante em várias frentes também escreveu diversos livros, compôs com Tom Jobim (Matita Perê), Edu Lobo e se tornou cantor. Dono de voz boêmia, que brincava ser igual do Nelson Cavaquinho, ele tira as torturas da alma e a beleza do samba.

Paulo Cesar é pinheiro, é destas nobres madeiras que duram e fazem a estrutura do samba. Como diria o poeta: "O que faz ser eterno um bom samba / É a beleza que tem seu lamento". E que tenhamos muito a que lamentar.

terça-feira, 17 de março de 2009

Personagem da semana: João Nogueira


Hoje vou falar deste cara Madeira, figura emblemática do samba, um dos sambistas mais completos da história do samba e de quem sou particularmente admirador.

João Nogueira nasceu no dia 12 de novembro de 1941 e com 17 anos já era diretor de um bloco carnavalesco no Méier, mostrando que se tornaria um dos defensores dos blocos cariocas e da tradição do samba.

Com 30 anos figurou entre a ala dos compositores da Portela e só saiu da Escola para fundar uma nova escola: Tradição. Além disto fundou um dos blocos que até hoje é sucesso na voz de seus filhos, o Clube do Samba, que inclusive é um hit do samba.

Nogueira se projetou na emergência do samba dos anos 70 e ficou marcado pelo estilo particular, calcado na ginga, suíngue e o vozeirão cadenciado que toca a alma.

No meu modo de ver fez de um dos grandes álbuns de samba, Parceria, um show ao vivo com o genial letrista e sambista Paulo Cesar Pinheiro. No total gravou 18 álbuns e construiu parcerias com diversos outros sambistas de peso.

O "sambista de calçada", como ele se apelidava, foi em paz e praticou seu credo musical até a última nota, e como disse Tárik de Souza, "o gênero perdeu ao mesmo tempo um ourives de alto refino e um militante de rua". João Nogueira é nó na madeira, é homem de um braço só, é espelho e é minha missão.

Músicas indispensáveis: Súplica, Minha Missão, Eu hein Rosa, Nó na Madeira, Batendo a porta, Um ser de luz, E lá vou eu, e muita muitas mais.