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domingo, 26 de setembro de 2010

Passarim


Em 1987,Tom Jobim lançou o álbum Passarim, obra de um compositor já consagrado, que pôde desenvolver seu trabalho sem qualquer receio, acompanhado por uma banda grande, a Banda Nova. Além da faixa-título Passarim, tem como destaques Gabriela, Luiza, Chansong, Borzeguim e Anos Dourados (com Chico Buarque). Grande mestre da música brasileira.

 Passarim
Composição: Antonio Carlos Jobim / Paulo Jobim

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro partiu, mas não pegou
Passarinho me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Me diz o que eu faço da paixão?
Que me devora o coração..
Que me devora o coração..
Que me maltrata o coração..
Que me maltrata o coração..


E o mato que é bom, o fogo queimou
Cadê o fogo? A água apagou
E cadê a água? O boi bebeu
Cadê o amor? O gato comeu
E a cinza se espalhou
E a chuva carregou
Cadê meu amor que o vento levou?
(Passarim quis pousar, não deu, voou)

Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu mas não matou
Passarinho, me conta, então me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão

Cadê meu caminho? A água levou
Cadê meu rastro? A chuva apagou
E a minha casa? O rio carregou
E o meu amor me abandonou
Voou, voou, voou
Voou, voou, voou
E passou o tempo e o vento levou
Passarim quis pousar, não deu, voou
Porque o tiro feriu, mas não matou
Passarinho, me conta então, me diz:
Por que que eu também não fui feliz?
Cadê meu amor, minha canção?
Que me alegrava o coração
Que me alegrava o coração
Que iluminava o coração
Que iluminava a escuridão

E a luz da manhã? O dia queimou
Cadê o dia? Envelheceu
E a tarde caiu e o sol morreu
E de repente escureceu
E a lua, então, brilhou
Depois sumiu no breu
E ficou tão frio que amanheceu
(Passarim quis pousar, não deu, voou)
Passarim quis pousar não deu
Voou, voou, voou, voou, voou

domingo, 14 de março de 2010

Anos Dourados

Maestro Soberano Tom Jobim e Chico Buarque. Sempre excelente relembrar esta obra prima.



Anos Dourados (Tom Jobim e Chico Buarque)

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor

Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
E desconcertante
Rever o grande amor

Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

terça-feira, 31 de março de 2009

Personagem da semana: Paulo Cesar Pinheiro


"Voz é vento. Palavra é pensamento. E o canto é ação"

O maior poeta vivo do samba. Assim começarei este post. De forma econômica e talvez discutível. Vou falar hoje de Paulo Cesar Pinheiro:

Difícil escrever sobre um dos maiores letristas da história do samba, homem que foi casado com Clara Nunes e que era um dos compositores favoritos de Elis Regina. O mais cantado de todos os autores nacionais, talvez seja mais fácil fazer uma lista de quem não foi parceiro do homem.

Homem este que foi parceiro de gênios como João Nogueira, Baden Powell, Guinga, Eduardo Gudin, entre outros. Poeta que foi um dos poucos sambistas a lutar diretamente contra a ditadura no período militar. Este é um pouco do PC Pinheiro, dono de clássicos do samba e da música nacional, dono de letras tristes e profundas, poeta por natureza e sambista por nascença.

Paulo César Francisco Pinheiro nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1949. Morava em Angra dos Reis RJ quando fez seus primeiros versos, e foi nessa cidade que conheceu João de Aquino, seu parceiro nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964. Um ano depois, Baden Powell, primo de João de Aquino, convidou-o para escrever letras para suas músicas.

Dai surgiram os primeiros sucessos na voz de Elis, como "Lapinha", e as revanchistas "Vou deitar e rolar", "Samba do perdão" e "Aviso aos navegantes", composições onde Baden provocava a ex-esposa Teresa nos versos de PCP.

Vou deitar e rola e Aviso aos navegantes - canta Elis Regina


Logo em seguida o poeta já atraía a companhia de músicos como Francis Hime para quem fez o texto de vários movimentos na sensacional "Sinfonia de São Sebastião", recentemente gravado e vendido em DVDs.

No mesmo período(1968) ao lado de Eduardo Gudin ele se enveredaria para os festivais universitários e em seguida (1974) gravaria um dos álbuns clássicos do samba "O importante é que a nossa emoção sobreviva" que conta também com a cantora Márcia, numa clara afronta ao sistema repressivo da época. De lá se tiram temas como "Veneno", "Consideração", "Velho passarinho", "Lá se vão meus anéis" entre outros. O interessante é que em 1996 os três se reencontrariam para gravar "Tudo que mais nos uniu", outro excelente álbum.

E lá se vão meus anéis - canta Eduardo Gudin


Em 1975 o compositor se casaria com a mineira Clara Nunes, onde colocaria de vez seu pé no samba, se unindo a dois militantes do samba: Mauro Duarte e João Nogueira que seriam sucesso na voz de Clara. De Mauro Duarte destacam-se "O canto das três raças", "Serrinha", "Portela na avenida", "Menino Deus", entre outros.

O Canto das Três Raças - canta PC Pinheiro


Com João Nogueira além de diversas composições gravou o álbum "Parceria" um dos grandes momentos da dupla. Os dois juntos tem composições de fazer inveja como: "Espelho", "Eu hein Rosa", "Minha missão", "O poder da criação", entre outros.

Espelho - canta Diogo Nogueira


Militante em várias frentes também escreveu diversos livros, compôs com Tom Jobim (Matita Perê), Edu Lobo e se tornou cantor. Dono de voz boêmia, que brincava ser igual do Nelson Cavaquinho, ele tira as torturas da alma e a beleza do samba.

Paulo Cesar é pinheiro, é destas nobres madeiras que duram e fazem a estrutura do samba. Como diria o poeta: "O que faz ser eterno um bom samba / É a beleza que tem seu lamento". E que tenhamos muito a que lamentar.