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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Prestação de contas: novo CD da Fabiana Cozza


Boa noite amigos do samba,

Neste fim de semana fui ao Sesc Bom Retiro para conferir mais um dos shows de lançamento – já havia acontecido no Vila Mariana – do novo trabalho de Fabiana Cozza.

A cantora que é paulistana da garoa e tem suas raízes na tradicional Camisa Verde e Branco, seguiu uma trilha de muito estudos técnicos e muita prática nos bares de samba da cidade. E este caminho parece levar cada vez mais naturalmente a um apogeu que pode colocá-la como uma das grandes intérpretes do país. 

Se ainda não tem a chancela popular, já alcançou junto aos críticos de música lugar privilegiado entre as cantoras brasileira, além de ser constantemente elogiada por compositores como Ivan Lins, Paulo Cesar Pinheiro, Wilson das Neves, entre outros. 


E nesta trilha de sucesso, seus trabalhos vão ganhando ainda mais corpo. Com repertório cuidadosamente escolhido, a cantora apostou em um novo trabalho com canções desconhecidas do público, mas contando com parte dos maiores compositores de samba atuais. É importante o papel da cantora neste momento. O samba está vivo e seus compositores atuais merecem tanto destaque como os medalhões já reconhecidos e que não mais compõem. E é nesta esfera que Fabiana escolheu feras como: Nei Lopes, Wilson Moreira, Wilson das Neves, Sombrinha, Wanderley Monteiro, bem como Kiko Dinucci, contemporâneo de Cozza e destaque na nova cena musical paulista

Hoje em dia procurar um bom trabalho de samba inclui diversos grandes autores e diretores musicais, mas você dificilmente errará quando comprar um CD com direção musical do Paulão 7 Cordas. E é com ele que Fabiana Cozza chega ao seu terceiro CD de título homônimo completando 15 anos de carreira, trazendo uma intérprete madura, expressiva, brasileira e que não à toa tem conquistado prestígio e elogios do público e da crítica especializada no Brasil e no exterior.

O show ainda traz algumas poucas canções de seus antigos trabalhos, ou clássicos de suas apresentações como o “Canto de Ossanha”, quando mostra toda sua técnica cantando parte do refrão sem o microfone que muitas vezes embeleza as vozes de muitos cantores por aí.

Coloquei durante a matéria e no seu final algumas gravações que fiz do show, e destaco exatamente estas três faixas neste novo trabalho: a linda “Lupiciniana”, a grudenta “Eternamente sempre” e o samba delicado e jocoso de “Sandália Amarela”. Ainda destaco a linda canção de Wanderlei Monteiro “Escudo”, que possui uma melodia lindíssima.

Para quem quer comprar o CD, só encontrei para vender na FNAC e realmente vale a pena ter esta obra. Mais detalhes sobre as faixas podem ser encontradas no site da cantora.

Aproveitem o que o samba produz de atual. É muito bom buscar referências no passado, mas é importantíssimo vitalizar o presente e deixar o samba respirar. Digo sem medo de errar: Fabiana Cozza hoje postula o cargo de uma das maiores intérpretes vivas do samba.

Obrigado Fabiana e obrigado aos diversos compositores que batalham pra manter viva esta tradição.


domingo, 28 de fevereiro de 2010

Prestação de contas - Paulo César Pinheiro


"A música me ama
ela me deixa fazê-la
a música é uma estrela
deitada em minha cama"

Paulo Cesar Pinheiro

Boa noite,

A noite de sábado foi realmente especial para mim. A cidade de São Paulo já esfriava-se de um verão calorento e chuvoso e a noite fria reservava um espetáculo divino.

Paulo César Pinheiro, o homem de mais de 2 mil músicas se apresentaria no Sesc Pompéia para alguns amantes do samba. Entre os presentes no dia: Eduardo Gudin - eterno parceiro de Pinheiro - Magno, Renato Braz e outros sambistas que naqueles dias eram apenas mais um espectador.

O compositor e letrista fez um show em família. No violão o filho, no cavaco a mulher e filha e cantando a cunhada. Todos da família Rabello, conhecida pela ligação com a música e o samba. É como se o show fosse feito da sala da casa para uma platéia de desconhecidos.

O artista fez uma revisão nos seus 60 anos de vida, e começou o show com uma música que fez aos 14 anos, mostrando desde já sua genialidade. Logo em seguida entoou "Lapinha" composição que fez aos 18 anos com o também parceiro Baden Powell e que ganho o festival da Record.



No repertório as canções quase medidas pelas palavra do poeta, que entre uma canção e outra ainda declamava poemas próprios. Com sua voz rouca, seu jeito sério e sisudo, divertiu-se com a platéia quando sentiu a falta do uísque, e enquanto brincava com os filhos jovens e talentosos.

Mas mais do que isto comoveu a todos com seu sentimento profundo sobre o samba. Um samba que vem do amor, do talento e da alma deste sambista nato. Sambista das antigas que trata de sentimentos, referências românticas e um saudosismo orgulhoso.



O ponto alto da noite foi quando cantou o hino do samba "Poder da Criação" num grande coro com a platéia.



Ouvir, ler, sentir Paulo César Pinheiro é uma emoção própria e indicada a todo sambista e amante da música brasileira. Este homem que é uma história viva da música é força, é madeira maciça do samba.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Eduardo Gudin no SESC Pompéia


Boa noite,

Neste fim de semana acontecerá o que será para mim o melhor show do mês. O maestro e mestre paulistano Eduardo Gudin comemora junto a diversos intérpretes o Notícias Dum Brasil.

Em 2010, o cantor e compositor Eduardo Gudin comemora os 15 anos do surgimento de seu grupo, o Notícias Dum Brasil, conjunto pelo qual já passaram artistas de grande expressão.

No show, Eduardo Gudin, ao violão e voz, será acompanhado por seu grupo, em sua atual formação, com participação especial de todos os intérpretes integrantes das formações anteriores do grupo.

Estão listados participações de intérpretes como: Mônica Salmaso, Renato Braz, Fabiana Cozza, Márcia Lopes, Luís Bastos, Maria Martha, Edson Montenegro, Luciana Alves, Marilise Rossatto, Selma Boragian, Ilana Volcov, Karina Ninni e Maurício Sant’anna.

Eduardo dos Santos Gudin nasceu em São Paulo, SP, em 14 de Outubro de 1950. Iniciou sua carreira convidado por Elis Regina para participar do programa "O Fino da Bossa" na TV Record. Ele se apresentou como solista de violão, em 1966, então, com dezesseis anos de idade. Tem cerca de 300 composições musicais gravadas e editadas.

Algumas composições e parceiros: Paulista, Verde, Um Jeito de Fazer Samba, com Costa Netto; Ainda Mais, Sempre se pode sonhar, com Paulinho da Viola; E Lá Se Vão Meus Anéis, Maior é Deus, Veneno, A Velhice da Porta Bandeira e Mordaça, com Paulo César Pinheiro, etc.

Segue canção de Gudin com Paulinho da Viola

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Resumo carioca


Boa noite,

Depois de um merecido recesso o blog volta com tudo para o universo do samba.

Neste período de recesso fui ao RJ onde conferi duas grandes apostas do samba carioca. Na sexta-feira dia 01/01 fui ao Sacrilégio, bar que fica na tradicional rua Mem de Sá, assistir ao grupo Batuque na Cozinha e no sábado dia 02/01 fui ao lindíssimo Trapiche Gamboa conferir o Galocantô que fiz até alguns registros de vídeo conforme abaixo.

Na sexta-feira a cidade que sediará as olimpíadas estava repleta de turistas de todo o mundo e na rua Mem de Sá, que conglomera opções de samba e atrações musicais na noite carioca, o espaço era pequeno e o calor era infernal.

Cheguei no Sacrilégio para ver o grupo apadrinhado pelo Martinho da Vila se apresentar. E para ser bem honesto o Batuque na Cozinha me decepcionou. Não sei se era para atender ao público presente, mas o grupo esbanjou do lugar comum em seu repertório, tocando clássicos da MPBs muito mais para animar os gringos presentes e esquecendo que na verdade é um grupo de samba. Nada contra clássicos da MPB, mas o grupo tem que se preocupar com o quer ser e onde quer chegar, pois com esta postura acaba se tornando mais uma bandinha de boteco que toca “Flor de Lis”, Bêbado e o Equilibristas” e outras canções que caracterizam o estilo “Barzinho e violão”, sem inventividade e originalidade que se espera de um grupo novo de samba.

No sábado me deparei com o extremo oposto do indicado acima. No Trapiche Gamboa o excelente grupo Galocantô confirmou a tendência de ser um dos novos grupos de samba do RJ. Mesclando repertório próprio com canções de Paulinho da Viola, Candeia, Zé Ketti, e outros grandes nomes, o grupo colocou a massa para dançar sem perder a sua linha de atuação e entoando sambas que tocavam o coração e a alma. Esbanjando simpatia e técnica o grupo fez uma apresentação completa passando por diversas fases e estilos de samba.

Independente de minha avaliação e críticas o importante é que o samba está aí crescendo e amadurecendo. Sem saudosismo o samba se rejuvenesce e pede passagem.

Bom ano de samba para todos nós.

Ps: amanhã a agenda do mês de janeiro estará disponível com muitos sambas!


Galocantô em ação


domingo, 27 de dezembro de 2009

Elas cantam Paulinho da Viola - com Fabiana Cozza


Boa noite,

E o ano de 2010 nem começou e já teremos samba.

Lançando um CD com canções apenas de Paulinho da Viola, Fabiana Cozza e outras grandes cantoras, fazem show no primeiro final de semana do ano no Sesc Vila Mariana em São Paulo.

Nos dias 02 e 03/01 Fabiana Cozza, Cida Moreira, Alaíde Costa e Milena fazem o lançamento do CD 'Elas Cantam Paulinho da Viola'.

Coloquei abaixo vídeos da expoente cantora Fabiana Cozza cantando o mestre Paulinho.

O show que acontecerá no Sesc Vila Mariana, contará com um sexteto formado por piano, contrabaixo, bateria, violão, percussão, cavaquinho/bandolim.

Quem: Fabiana Cozza, Cida Moreira, Alaíde Costa e Milena.
Onde: SESC Vila Mariana
Quando: 02/01, 03/01 (sábado, às 21h; domingo, às 18h)



domingo, 13 de dezembro de 2009

Prestação de contas: Elza Soares


Boa tarde,

Saí de casa por volta das 20h para ir ao show da Elza. O evento ocorreria no Teatro Fecap, na região central da cidade, bem próximo à Estação Liberdade do Metrô. Fui buscar minha companhia e pelo caminho encontrei uma das maiores dificuldades do paulistano no momento, o trânsito agravado por uma árvore gigante e feia próximo ao Ibirapuera, e ao mesmo tempo o trânsito formado pelas pessoas que vão à Paulista ver as luzes de natal. Nada contra o natal, mas convenhamos que estas coisas poderiam ser melhor organizadas tanto pelo governo, quanto por nós.

A expectativa pelo show era muito grande, Elza é destas artistas que os fãs de música costumam comentar que é a conhecida “boa de palco”, algo parecido com “boa de cama”, porém para as questões musicais e artísticas. Outros nomes se encaixam neste perfil, e tem seus ingressos esgotados quando surge um show: Maria Bethânia, Luiz Melodia, Ney Matogrosso, entre outros.

Mesmo com a chuva forte que assolava a cidade e o trânsito caótico e desproporcional para um sábado à noite, conseguimos chegar ao show a tempo de pegarmos nossos lugares e aguardar a presença da cantora.

As luzes se apagaram de lá surgiram o excelente violonista e compositor João de Aquino, junto ao seu prodigioso filho também violonista, e de um percussionista interessante por sua árvore genealógica, uma vez que o “moleque” era neto de Donga, conhecido precursor do samba.

Iniciaram o show apenas os três músicos, num instrumental de um clássico de Dorival Caymmi. A cantora só viria na próxima música, ajudada por sua equipe, pois tinha o tornozelo torcido e não conseguia nem se manter em pé. No centro do palco uma poltrona fora posicionada para que a cantora se sentasse e fizesse o show.

Elza estava com seu costumeiro visual arrojado: um vestido longo vermelho, sobrancelhas postiças, a boca avermelhada, e acima um pinta negra. Lembrava as antigas divas dos anos 50 com o coque propositalmente bagunçado sobre a cabeça.

A cantora se sentou de forma provocativa sob a poltrona reclamando de não poder ficar de pé e fazer o show como gostava, uma vez que se autointitula hiperativa. Quem pensava que o show seria diminuído por esta limitação logo foi se dissipando da idéia com a primeira canção da cantora.

A voz desta mulher que se eterniza na música nacional é única, uma força que derruba as expectativas de qualquer ouvinte, tamanha a naturalidade e a técnica apresentada. Transformando músicas conhecidas do cancioneiro popular brasileiro, em novas obras primas, devido à interpretação e emoção incluídas nas músicas.

O repertório eclético vai de Johnny Alf à composições de Lulu Santos, do clássico Dorival Caymmi ao sambista Jorge Aragão, sempre com através de uma forma própria de interpretação, carregado de suingue, negritude, numa mistura de blues, samba, jazz e das raÍzes desta cantora provinda de Padre Miguel.

Durante a apresentação o músico João de Aquino e Elza mostram intimidade e um humor divertidíssimo das histórias da música popular brasileira. A platéia acompanhava o tom intimista do show como cúmplice desta amizade.

O show se desenrolou com canções rasgantes na voz e na força desta mulher com uma história de vida única tamanha sua força e capacidade de enxergar a importância da mulher bem à frente do seu tempo.

O show foi impressionante, e por um baixo valor acabei assistindo um dos melhores shows do ano – em minha opinião. Interessante é se perguntar por que uma artista como esta fica fora da mídia, muito mais preocupada com seus namoros com garotões e nas suas últimas plásticas do que com a incrível performance que ela consegue imprimir nos palcos.

Elza e suas manifestações são o retrato de um Brasil ainda imaturo, que ao mesmo tempo apresenta talento, criatividade, técnica, mas que muitas vezes se deixa sucumbir pela falta de foco , pelo pré julgamento e pelo pensamento antiquado em alguns aspectos sociais.

Obrigado Elza por sua ousadia, sua originalidade e sua paixão em fazer-nos apaixonar por você.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Nei Lopes no Bar Samba


Boa noite,

Para quem não sabe, além de cantor, compositor, Nei Lopes é um excelente escritor, tendo livros importantes para se entender muito sobre o samba e a cultura afro brasileira, livros como o indicado ao Jabuti, “História e Cultura Africana e Afro-Brasileira” e outros que contam a formação do Rio de Janeiro e do samba como: “Partido-Alto: Samba de Bamba”, “Sambeabá: o Samba que Não se Aprende na Escola”, entre outro mais.

Porém pela primeira vez o autor se arriscará em romances com o livro "Mandingas da mulata velha na cidade nova". Vale ler a reportagem do JB, que conta com entrevista do mestre Nei Lopes e de ninguém menos que Paulo César Pinheiro, ambos se enveredando pelos caminhos da literatura, e enriquecendo-a ainda mais com representantes legítimos do samba.

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/11/28/e281127641.asp

O livro que já foi lançado no RJ, será também lançado em SP nesta sexta-feira dia 11/12, no Bar Samba e é um evento imperdível para escutar o excelente Nei cantar, autografar e contar suas histórias impagáveis.

Quem: Nei Lopes lança “Mandingas da mulata velha na cidade nova"
Quando: 11/12
Onde: Bar Samba - Rua Fidalga, 308

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Prestação de Contas - Quinteto em Branco e Preto



A idade não importa, a cor da tua pele não me interessa
Se tem perna torta se tem perna certa
Basta saber se tem samba na veia


Boa noite,

A chuva "molha peão"do últimos fins de tarde, na verdade lavava a cidade de São Paulo. Era quinta-feira, dia 26/11. Mais uma vez o grupo Quinteto em Branco e Preto se apresentaria no Bar Você Vai Se Quiser, que também possui apelidos como Samba da Roosevelt, Bar da Graça, Samba do Centro, etc.

Ao adentrar deparei com velhos conhecidos do samba, como o excelente cantor Tito Amorim, Nananã da Mangueira orgulhosa com a presidência assumida pelo filho Ivo Meireles na Estação Primeira de Mangueira, Liette de Souza (compositora e mulher do mestre Roberto Ribeiro), entre outras figuras.


Novamente o Quinteto demonstrava a habitual tranquilidade dividindo idéias e cumprimentando o púbico presente. Eis que o tal do som resolve pifar, e o clima começa a ficar tenso no local. Os espectadores se perguntando o que teria acontecido para o show estar atrasado e o pessoal tão tenso.

Sem muito alarde, o samba segue em frente, e na base de muita boa vontade e mágicas da produção, um novo "som" é instalado no bar para o excelente grupo que iria tocar.

A homenagem era mais do que nobre, a reverência deste novo encontro desta vez fora Candeia, que já falei algumas vezes no blog e que muitos já conhecem.

Quinteto mais uma vez demonstrou sua excelente capacidade de interpretação e de levantar o público presente. Com muito samba de partido alto, e uma grande homenagem ao dia da consciência negra, muito defendida pelo pioneiro do movimento negro no Brasil, o homenageado Candeia.

Muito poderia me alongar aqui, mas termino com uma frase que devemos lembrar sempre do mestre Candeia. A situação do país em relação ao preconceito melhorou muito, mas a estima de qualquer pessoa é sempre importante.

"Negro acorda é hora de acordar
Não negue a raça
Torne toda manhã dia de graça"


Fiz alguns vídeos para quem quiser conferir:

Gamação


Dia de Graça


Filosofia do Samba

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Zeca Pagodinho em São Paulo


Zeca Pagodinho lança seu novo CD em São Paulo no dia 11 e 12/12 no HSBC Brasil.

Boa noite,

É amigos, ele vem aí.

Zeca Pagodinho é um dos grandes transformadores do samba contemporâneo. Ele consegue conciliar ao mesmo tempo, o antigo e o novo do samba, popularizando e comercializando-o em todos os níveis sociais e esferas. Há muitas pessoas que torcem o nariz para o sambista, por rotular seu samba apenas como pagode, como se fosse um estilo menor do samba. Acho que todos temos direito a gostar ou não de algo, mas um bom sambistas querer criticar o repertório e composições de Zeca Pagodinho é quase dar um tiro no próprio pé.

Vou me explicar melhor. Muitas pessoas gostam de Cartola, Noel Rosa, Monarco, etc, pois dizem que eles são compositores de samba de raiz, como se samba de raiz tivesse que ser antigo para ser de raiz. E o pior, como se um sambista escolhesse qual tipo de samba fará para o resto da vida. É claro que estes artistas possuem um estilo próprio, mas muitos sambistas vão do partido-alto ao samba canção, do jongo ao sincopado. Pois o rótulo é dado pelo crítico e não pela inspiração de momento do cantor.

Há quem critique o estilo de samba de Zeca, Fundo de Quintal e outros mestres, pela felicidade e partido alto que imprimem às músicas e estas canções acabam “proibidas” de círculos pseudo intelectuais, pois o velho samba já é reconhecido e é mais fácil cultuá-lo. Pois bem, uma das música que projetou o Zeca Pagodinho foi “Coração em desalinho”, que foi composta pelo sambista de raiz e mestre da Portela, Monarco. “Minha” é outra música que foi interpretada pelo cantor e fez grande sucesso, e pertence ao compositor Cartola. São muitas as composições em que Zeca readapta o samba ao seu estilo e canta antigos compositores do samba.

A questão é que Zeca é um ser orgânico, assim como o samba, e nas suas andanças pelo Rio de Janeiro, de sua procedência em Xerém, ele convive com muitos que poderão ser novos Cartolas, Noel, entre outros, mas com as características do samba atual. Por isto também grava a “nova” geração do samba, para nomear alguns nomes típicos nos CDs do Zeca: Luiz Carlos da Vila, Serginho Meriti, Mauro Diniz, etc. Cabe lembrar que Cartola, Noel, Candeia, entre outros sambistas, morreram sem a fama e o merecimento que têm hoje.

E como o samba é uma corrente, o elo continua se formando sob a batuta de um dos maiores intérpretes do Brasil, e não só de samba que é o Zeca. Aos que criticam o “jabá”, regravações exageradas e utilização da imagem do cara, também concordo, mas vivemos em um mundo capitalista e o artista muitas vezes não pode, ou não quer, se privar de ganhar bem e fazer sucesso. Como diria Tom Jobim, os críticos brasileiros sofrem da fracassomania. Como se fosse bom somente o que poucos escutam e conhecem, ou o que vem de fora do país.

O sambista é a abertura para diversos novos compositores de conseguirem uma projeção nacional, que o diga Paquera do Samba da Vela que já teve uma composição do artista, que o diga “Trio Calafrio” com a gravação de “Dona Esponja”, que diga Luiz Carlos da Vila, um dos grandes sambista contemporâneos e que vem sendo imortalizado em composições como Cabô Meu Pai e Então Leva, uma em parceria com Moacyr Luz e outra com Bira da Vila. O samba de Zeca é democrático, vem do intelectual Chico Buarque, que ele regravou com a noelesca “Rita”, ao popular “Samba para as moças” (Incandeia) do baiano Roque Ferreira.

Aos que quiserem se inteirar um pouco mais sobre a continuidade dos sambas e suas correntes, indico o excelente livro “Heranças do Samba” que conta um pouco das correntes do samba e como elas continuam sendo continuada por anônimos que trabalham como formiguinhas para manter a chama do samba acesa. O livro foi redigido por Aldir Blanc, Luiz Fernando Viana e Hugo Sukman.

Uma Prova de Amor ao Vivo MTV

Sobre o novo CD do Zeca, é mais um “caça níquel” da MTV com excelente qualidade. CD gravado em julho deste ano, no Citibank Hall, no Rio de Janeiro, e faz referência ao show do álbum anterior: Uma Prova de Amor. O disco, que corre estrada há um ano, segundo Zeca, é uma prova de amor às mulheres, ao samba e à religião. Revelando talentos escondidos pelas esquinas, botequins, vielas de favelas como Toninho Geraes, Alamir, Zé Roberto, Maurição, Serginho Meriti, Bira da Vila, entre outros. Excelente presente de natal e para amigos secretos de fim de ano.

Outros links úteis:
http://guia.folha.com.br/shows/ult10052u469164.shtml
http://www.zecapagodinho.com.br/artigo-blog/um-prova-de-amor-ao-vivo-ja-nas-lojas
http://www.ticketmaster.com.br/shwReleaseDetail.cfm?releaseID=2529&gclid=CJfL5Kzwsp4CFUsf7godEE7MkA


Quem: Zeca Pagodinho
Quando: 11 e 12/12
Onde: HSBC Brasil
Quanto: de R$ 70 a 160 (inteira)





quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Prestação de contas - Paulinho da Viola


Não tem serra que derrube,
não tem guerra que desmate
ele pesa sobre a pele
mais que a lei de gravidade


Paulinho da Viola se apresentou em São Paulo de mansinho, sem alarde, mas de uma hora para outra todos os interessados sabiam e sua presença era aguardada em São Paulo.

Senhor de poucos shows, o cantor é destes que pela sua profundidade e importância, mesmo em doses homeopáticas, pode mudar seus sentidos e te surpreender. Foi assim que me senti ao ouvir ele cantar músicas como "Foi demais", "Sei lá Mangueira" e muitas outras, talvez todas.

É como se tudo fosse novo e diferente, na voz e na sutileza que é a música, a pessoa e a poesia deste sambista. As histórias são graciosas, o tempo é outro, Paulinho e sua música são um ritmo só. E participar disto é uma experiência e tanto.

Chamado por muito de príncipe do samba, ele carrega esta monarquia que as tradições do samba estabelecem. Assim como a majestade Paulo da Portela ou, o também príncipe, Roberto Silva. Que foi lembrado pelo cantor quando gritaram o seu apelido no show.

Indico o filme/documentário "Meu tempo é hoje", onde se percebe claramente quem é este artesão da música. Que demora até 6 anos para compor um "simples" samba. Como contou na parceria "Ainda mais" com Eduardo Gudin.

O show terminou mas o efeito Paulinho ainda não. "Para um amor no Recife", "Recomeçar", "Depois da vida", são tantas músicas a descobrir e redescobrir neste universo fértil do compositor.

Salve o Príncipe do Samba!

Paulinho da Viola canta "Foi demais"