
"A música me ama
ela me deixa fazê-la
a música é uma estrela
deitada em minha cama"
Paulo Cesar Pinheiro
Boa noite,
A noite de sábado foi realmente especial para mim. A cidade de São Paulo já esfriava-se de um verão calorento e chuvoso e a noite fria reservava um espetáculo divino.
Paulo César Pinheiro, o homem de mais de 2 mil músicas se apresentaria no Sesc Pompéia para alguns amantes do samba. Entre os presentes no dia: Eduardo Gudin - eterno parceiro de Pinheiro - Magno, Renato Braz e outros sambistas que naqueles dias eram apenas mais um espectador.
O compositor e letrista fez um show em família. No violão o filho, no cavaco a mulher e filha e cantando a cunhada. Todos da família Rabello, conhecida pela ligação com a música e o samba. É como se o show fosse feito da sala da casa para uma platéia de desconhecidos.
O artista fez uma revisão nos seus 60 anos de vida, e começou o show com uma música que fez aos 14 anos, mostrando desde já sua genialidade. Logo em seguida entoou "Lapinha" composição que fez aos 18 anos com o também parceiro Baden Powell e que ganho o festival da Record.
No repertório as canções quase medidas pelas palavra do poeta, que entre uma canção e outra ainda declamava poemas próprios. Com sua voz rouca, seu jeito sério e sisudo, divertiu-se com a platéia quando sentiu a falta do uísque, e enquanto brincava com os filhos jovens e talentosos.
Mas mais do que isto comoveu a todos com seu sentimento profundo sobre o samba. Um samba que vem do amor, do talento e da alma deste sambista nato. Sambista das antigas que trata de sentimentos, referências românticas e um saudosismo orgulhoso.
O ponto alto da noite foi quando cantou o hino do samba "Poder da Criação" num grande coro com a platéia.
Ouvir, ler, sentir Paulo César Pinheiro é uma emoção própria e indicada a todo sambista e amante da música brasileira. Este homem que é uma história viva da música é força, é madeira maciça do samba.