domingo, 28 de fevereiro de 2010

Prestação de contas - Paulo César Pinheiro


"A música me ama
ela me deixa fazê-la
a música é uma estrela
deitada em minha cama"

Paulo Cesar Pinheiro

Boa noite,

A noite de sábado foi realmente especial para mim. A cidade de São Paulo já esfriava-se de um verão calorento e chuvoso e a noite fria reservava um espetáculo divino.

Paulo César Pinheiro, o homem de mais de 2 mil músicas se apresentaria no Sesc Pompéia para alguns amantes do samba. Entre os presentes no dia: Eduardo Gudin - eterno parceiro de Pinheiro - Magno, Renato Braz e outros sambistas que naqueles dias eram apenas mais um espectador.

O compositor e letrista fez um show em família. No violão o filho, no cavaco a mulher e filha e cantando a cunhada. Todos da família Rabello, conhecida pela ligação com a música e o samba. É como se o show fosse feito da sala da casa para uma platéia de desconhecidos.

O artista fez uma revisão nos seus 60 anos de vida, e começou o show com uma música que fez aos 14 anos, mostrando desde já sua genialidade. Logo em seguida entoou "Lapinha" composição que fez aos 18 anos com o também parceiro Baden Powell e que ganho o festival da Record.



No repertório as canções quase medidas pelas palavra do poeta, que entre uma canção e outra ainda declamava poemas próprios. Com sua voz rouca, seu jeito sério e sisudo, divertiu-se com a platéia quando sentiu a falta do uísque, e enquanto brincava com os filhos jovens e talentosos.

Mas mais do que isto comoveu a todos com seu sentimento profundo sobre o samba. Um samba que vem do amor, do talento e da alma deste sambista nato. Sambista das antigas que trata de sentimentos, referências românticas e um saudosismo orgulhoso.



O ponto alto da noite foi quando cantou o hino do samba "Poder da Criação" num grande coro com a platéia.



Ouvir, ler, sentir Paulo César Pinheiro é uma emoção própria e indicada a todo sambista e amante da música brasileira. Este homem que é uma história viva da música é força, é madeira maciça do samba.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Agenda do final de semana - Anhanguera Dá Samba c/ Monarco, Francis Hime, Paulo Cesar Pinheiro...‏


Bom dia amigos do samba,

Neste final de semana o samba abre suas asas e nos traz excelente opções.

Amanhã a grande surpresa será a presença do Monarco no Anhanguera Dá Samba, conforme post abaixo, e ainda teremos o show do Almir Guineto no Traço de União.

No sábado e domingo, há três excelentes shows que estão nos posts abaixo: PC Pinheiro, Francis Hime e Clécia cantando Roque Ferreira. Sem contar as rodas de samba tradicionais que também podem ser conferidas na lateral direita do blog.

Opções não faltam e o samba não pára. Salve a cervejinha, o cavaquinho e todos os "inhos" relativos ao samba.

Bom samba a todos nós.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Anhanguera Dá Samba convida Monarco‏


Boa noite,

Promessa de noite histórica no Anhangüera dá samba!. Como de praxe na última sexta-feira terá mais uma vez os Inimigos do Batente recebendo um convidado especial. E o bamba deste mês, um dos maiores baluartes vivos do samba brasileiro, dispensa apresentações: mestre Monarco da Portela!

Um dos grandes intérpretes do samba e porta-voz-oficial do samba de Oswaldo Cruz.Parceiro de Candeia e Paulo da Portela, autor de alguns dos maiores sucessos gravados por gente do naipe de João Nogueira e Zeca Pagodinho. Um imenso arquivo vivo do samba brasileiro, que transcende em muito as fronteiras da Grande Madureira, passeando com desenvoltura por estácios, salgueiros, mangueiras e São Paulo.

E o melhor de tudo é que o mestre por aqui poderá ser visto “fora do palco” e dentro de uma roda de samba que é uma de suas grandes especialidades. E tudo isso a hoje inigualáveis por R$ 10.

Festa total em azul e branco para reunir os sambistas dos quatro cantos da cidade.

Quem: Monarco e Inimigos do Batente
Onde: Clube Anhangüera: Rua dos Italianos, nº 1.261
Quando: Sexta-feira, 26/02
Quanto: R$ 10
Horário: 23h

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Clécia faz homenagem a Roque Ferreira


Boa noite,

O Samba da Bahia invade a Caixa Cultural São Paulo pela voz da cantora Clécia Queiroz

O Grande Salão da Caixa Cultural São Paulo será o novo palco para uma curtíssima temporada do show "Samba de Roque", da cantora Clécia Queiroz, que acontece neste fim de semana. O espetáculo - concebido a partir do CD homônimo gravado no final de 2009 - presenteia o público paulistano com uma apresentação onde o samba baiano se mistura elegantemente a ritmos oriundos da tradição do candomblé e a outros gêneros musicais como o lundu e o maxixe.

O título que dá nome ao CD e ao show, "Samba de Roque", trata-se de uma homenagem ao grande compositor baiano Roque Ferreira que tem mais de 400 músicas gravadas por artistas como Maria Bethânia, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Martin'ália dentre outros.


Pouca gente sabe, mas o nome de Roque Ferreira está presente em muitos discos dos maiores sambistas brasileiros. Desde 1979, quando foi lançado por Clara Nunes no LP Esperança. São dele duas músicas-títulos da discografia de Zeca Pagodinho: Samba pras Moças e Água da Minha Sede (com Dudu Nobre), sem falar na famosa Pro Amor Render, parceria com Dudu Nobre gravado por Martinho da Vila em 1999.Clécia faz homenagem também a outros três compositores baianos: Riachão, Walmir Lima e Dorival Caymmi.

Para ouvir o CD:
http://www.radio.uol.com.br/#/album/clecia-queiroz/samba-de-roque/19424

Quem : Clécia Queiroz canta o "Samba de Roque"
Onde: CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111
Quando: 26 a 28 de fevereiro de 2010
Horário: sexta-feira e sábado, às 19h e domingo às 18h.
Quanto: Entrada franca (os ingressos poderão ser retirados na bilheteria com uma hora de antecedência)

PS: agradecimento ao Zé pelas dicas (http://olhaprafora.blogspot.com )

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Quinteto em Branco e Preto no Você Vai Se Quiser - cantando Mestre Marçal‏


Boa noite a todos,

Esta semana o samba tá quente e não pode parar.

Nesta quinta-feira, o grupo Quinteto em Branco e Preto, que dispensa apresentações, faz mais um show em homenagem a um grande sambista. O show que vem se repetindo toda última quinta-feira do mês no Bar Você Vai Se Quiser, desta vez homenageia o mestre das baterias de escola de samba “Mestre Marçal”.

"Mestre Marçal" nasceu em 1930 no bairro carioca de Ramos, onde viveu até os 11 anos. Mas seu florescer musical se deu em Madureira, onde Marçal ainda menino aprendeu a tocar cuíca, tamborim, surdo, tarol, pandeiros e tantos outros instrumentos de percussão. Durante mais de 20 anos comandou a bateria da Portela, mas em 1985 deixou a escola por desavença políticas, assim como outros portelenses ilustres. Foi para a Unidos da Tijuca e no final dos anos 80 gravou os discos em que mostrava também seu grande talento como compositor e arranjador.

Mestre Marçal era filho do grande sambista Armando Marçal, famoso por formar uma das grandes duplas do samba: Bide e Marçal.

Conheça um pouco de Mestre Marçal:


Quem: Quinteto em Branco e Preto canta Mestre Marçal
Quando: quinta-feira, 25/02
Quanto: R$ 15
Onde: Você Vai Se Quiser

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Personagem da Semana - Francis Hime


Boa noite,

Esta semana além do destacado show de Paulo Cesar Pinheiro, teremos o show de outro grande compositor da música brasileira e conseqüentemente do samba. O show acontecerá no Sesc Pinheiros neste sábado e domingo com ingresso custando R$ 20 inteira(R$ 10 reais meia entrada). Uma pechincha para um artista como Francis que comemorará no espetáculo os seus 70 anos.

Musicista e orquestrador de primeira, Francis Hime estudou piano desde os 6 anos de idade, no Conservatório Brasileiro de Música. Em 1963, começa a sua parceria com Vinicius de Moraes, com quem compôs inúmeras canções, tais como: "Sem mais adeus", "Anoiteceu ", e outras. Nessa época, começa também a compor com Ruy Guerra. Participou de vários festivais de música nos anos 60, quando suas canções foram cantadas por nomes como Elis Regina e Roberto Carlos.

Em 1969, foi para os Estados Unidos, onde ficou 4 anos estudando composição, orquestração e trilhas para filme. De volta ao Rio, em 1973, grava seu primeiro disco para a Odeon. Nessa época, sempre escrevendo a música, ele começa a compor com quem se tornaria seu mais importante parceiro: Chico Buarque. Junto fizeram grandes sucessos, tais como: "Atrás da porta", "Trocando em miúdos", "Meu caro amigo", "Pivete", "Passaredo", "Amor barato", "A noiva da cidade", "Embarcação", "Vai Passar".

Francis Hime e Chico Buarque


Conhecido como um dos mais talentosos compositores do Brasil, Francis é especialmente dotado por uma versatilidade em compor sobre vários ritmos brasileiros, escrevendo sambas, frevos, modinhas, calangos, choros, etc. Com isto alcançou diferentes intérprete para suas composições como Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Gal Costa, Ivan Lins, Djavan, Tony Bennett, Bill Evans, Kenny Burrel, Lany Hall, João Bosco, Lenine, Beth Carvalho, Nara Leão, Elizete Cardoso, Toquinho, Zélia Duncan, Joyce, Adriana Calcanhoto, Paulinho da Viola, , Georges Moustaki, etc.

Fabiana Cozza canta Francis Hime e Chico Buarque


Francis Hime é compositor, cantor, pianista, arranjador e maestro de primeira. Representante da geração de compositores surgida no Brasil, desde o fim da década de 1920 (quando foram lançados os jovens Noel Rosa, Ary Barroso, Lamartine Babo, e tantos outros), Francis Hime assumiu o papel de um dos principais protagonistas da música popular brasileira a partir da primeira metade dos anos 60. Sem dúvida seria difícil escrever a história da música brasileira nas últimas décadas sem dar a Francis Hime um destaque especial.

Francis Hime


Se o Brasil é uma confluência de ritmos, a todos estes ritmos brasileiros, Francis empresta seu inspirado refinamento e deles toma emprestado a vitalidade e a beleza. Pois Francis Hime assim como Villa-Lobos, Radamés Gnatalli, Tom Jobim e Luizinho Eça, tem o domínio da técnica que consegue transformar os ritmos simples em elaboradas melodias com orquestrações únicas.

Francis é a fusão definitiva entre o popular e o erudito na música brasileira. Vida longa ao maestro.

Quem: Francis Hime comemora 70 anos de carreira
Quando: 27 e 28/02
Quanto: R$ 20 inteira
Onde: Sesc Pinheiro

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Paulo Cesar Pinheiro no Sesc Pompéia


Bom dia!

No próximo final de semana, 27 e 28/02, acontecerá o show em comemoração aos 60 anos da carreira de Paulo Cesar Pinheiro no Sesc Pompéia.

PC Pinheiro está associado ao que de melhor a música brasileira produziu nos últimos 40 anos.

Letrista com mais de 2 mil músicas, Paulo César Pinheiro atravessou quatro gerações de parcerias, de Pixinguinha a Lenine, passando por Tom Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell, Sivuca, Edu Lobo, Francis Hime, João Nogueira e Raphael Rabello. Suas composições podem ser ouvidas nas vozes de intérpretes como Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Elis Regina, Paulinho da Viola, Nana Caymmi e Sarah Vaughn, entre muitos outros.

No repertório, canções como “Lapinha”, “Refém da Solidão” e “Quaquaraquaquá” (com Baden); Matita Perê (com Tom Jobim), Ingênuo (Pixinguinha), “Viagem” (João de Aquino), “Vento Bravo” (Edu Lobo).

Quem: Paulo Cesar Pinheiro
Quando: 27 e 28/02
Horário: sáb às 21h e dom às 18h
Quanto: R$ 28 inteira

O artista faz muitos poucos shows, portanto os ingressos estão concorrido, apesar de não ser muito famoso a importância e força deste sambista é de assustar ao espectador. Homem poeta, talvez o maior letrista vivo, junto a Chico Buarque. Por homenagem ao artista que posto novamente o texto que conta um pouco da sua carreira.

Personagem da semana: Paulo Cesar Pinheiro - Post escrito no dia 31/03/2009

“Voz é vento. Palavra é pensamento. E o canto é ação"

O maior poeta vivo do samba. Assim começarei este post. De forma econômica e talvez discutível. Vou falar hoje de Paulo Cesar Pinheiro:

Difícil escrever sobre um dos maiores letristas da história do samba, homem que foi casado com Clara Nunes e que era um dos compositores favoritos de Elis Regina. O mais cantado de todos os autores nacionais, talvez seja mais fácil fazer uma lista de quem não foi parceiro do homem.

Homem este que foi parceiro de gênios como João Nogueira, Baden Powell, Guinga, Eduardo Gudin, entre outros. Poeta que foi um dos poucos sambistas a lutar diretamente contra a ditadura no período militar. Este é um pouco do PC Pinheiro, dono de clássicos do samba e da música nacional, dono de letras tristes e profundas, poeta por natureza e sambista por nascença.

Paulo César Francisco Pinheiro nasceu no Rio de Janeiro RJ em 1949. Morava em Angra dos Reis RJ quando fez seus primeiros versos, e foi nessa cidade que conheceu João de Aquino, seu parceiro nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964. Um ano depois, Baden Powell, primo de João de Aquino, convidou-o para escrever letras para suas músicas.

Dai surgiram os primeiros sucessos na voz de Elis, como "Lapinha", e as revanchistas "Vou deitar e rolar", "Samba do perdão" e "Aviso aos navegantes", composições onde Baden provocava a ex-esposa Teresa nos versos de PCP.

Vou deitar e rola e Aviso aos navegantes - canta Elis Regina


Logo em seguida o poeta já atraía a companhia de músicos como Francis Hime para quem fez o texto de vários movimentos na sensacional "Sinfonia de São Sebastião", recentemente gravado e vendido em DVDs.

No mesmo período(1968) ao lado de Eduardo Gudin ele se enveredaria para os festivais universitários e em seguida (1974) gravaria um dos álbuns clássicos do samba "O importante é que a nossa emoção sobreviva" que conta também com a cantora Márcia, numa clara afronta ao sistema repressivo da época. De lá se tiram temas como “Mordaça”, "Veneno", "Consideração", "Velho passarinho", "Lá se vão meus anéis" entre outros. O interessante é que em 1996 os três se reencontrariam para gravar "Tudo que mais nos uniu", outro excelente álbum.

Mordaça - canta Eduardo Gudin e Notícias dum Brasil


Em 1975 o compositor se casaria com a mineira Clara Nunes, onde colocaria de vez seu pé no samba, se unindo a dois militantes do samba: Mauro Duarte e João Nogueira que seriam sucesso na voz de Clara. De Mauro Duarte destacam-se "O canto das três raças", "Serrinha", "Portela na avenida", "Menino Deus", entre outros.

O Canto das Três Raças - canta PC Pinheiro


Com João Nogueira além de diversas composições gravou o álbum "Parceria" um dos grandes momentos da dupla. Os dois juntos tem composições de fazer inveja como: "Espelho", "Eu hein Rosa", "Minha missão", "O poder da criação", entre outros.

Espelho - canta Diogo Nogueira


Militante em várias frentes também escreveu diversos livros, compôs com Tom Jobim (Matita Perê), Edu Lobo e se tornou cantor. Dono de voz boêmia, que brincava ser igual do Nelson Cavaquinho, ele tira as torturas da alma e a beleza do samba.

Paulo Cesar é pinheiro, é destas nobres madeiras que duram e fazem a estrutura do samba. Como diria o poeta: "O que faz ser eterno um bom samba / É a beleza que tem seu lamento". E que tenhamos muito a que lamentar.