Nesta quinta-feira a cidade de São Paulo receberá uma das mais promissoras cantoras do Brasil. Em um estilo que, para muitos, lembra muito Marisa Monte a cantora vem se destacando pela qualidade de execução e repertório.
Roberta Sá nasceu em Natal e aos 9 anos mudou-se para o Rio de Janeiro onde se criou e ganhou projeção. Com 18 anos foi morar nos EUA onde começou a cantar, ao voltar ao Brasil começou a investir na carreira, culminando numa curiosidade: em 2002 Roberta acabou entrando no programa de televisão Fama. E a jovem que foi eliminada na quarta semana.
Felizmente a cantora acabou se projetando e gravou sob encomenda de uma empresa um álbum promocional intitulado "Sambas e Bossas". Entre as gravações alguns clássicos como "A Flor e o Espinho", "Essa Moça tá Diferente" e "Chega de Saudade". Excelente disco com clássicos de sambas e bossas, por mais óbvio que seja.
Em 2005 Roberta Sá lança seu primeiro álbum, chamado "Braseiro". No álbum que nao e exatamente de samba há canções de compositores consagrados como Chico Buarque (Pelas Tabelas) e Paulinho da Viola (Valsa da Solidão), e de novos talentos como Marcelo Camelo (Casa Pré-Fabricada), Lula Queiroga (Ah! Se Eu Vou) e Pedro Luís (Braseiro). O trabalho conta ainda com a participações de Ney Matogrosso e MPB-4. Outro excelente disco. Vale a pena conferir.
O ultimo trabalho da cantora e seu segundo álbum, intitulado "Que Belo Estranho Dia Para se Ter Alegria" ganhou dois prêmio da APCA melhor cantora e melhor álbum. E podera ser conferido no show em SP.
Quem: Roberta Sa Quando: 19/11 Quanto: de R$ 50 a R$ 100 (inteira) Onde: Citibank Hall
Eu digo e até posso afirmar Vive melhor quem samba
Vou pela rua cantando e o clarão da lua vem ornamentar Sim,vou levando alegria Pra dona Tristeza alegre ficar Abra a janela do peito e deixe meu samba passar Samba não tem preconceito e já vai se libertar
A liberdade dos prantos e dos desencantos que a vida nos deu A liberdade que canto é amor,é esperança Pra quem já sofreu Cada qual que olhar para trás verá que sempre há uma razão de viver Quem guerreia pela paz, A verdadeira paz nunca há de ter.
Cantem todos como eu faço Perdoem os fracassos A vida é tão curta Enquanto se iluda, se samba também Noite fria enluarada, Fim de madrugada Feliz vou cantando, Cantando alegria que o samba contém.
lá lá ia lá ia lá lá ia lá ai lá
Eu digo e até posso afirmar Vive melhor quem samba
Neste sábado o clima vai esquentar lá para o lado da Zona Leste.
Isto porque o samba que aconteceria com o Terreiro Grande no final do mês passado, foi cancelado devido a uma fatalidade.
Mas neste sábado, o Bar Patriota que fica ali perto da Praça Silvio Romero receberá os sambistas que representam bem o samba de SP. Saiba mais sobre o terreiro acessando este antigo post: http://sambacidade.blogspot.com/2009/09/terreiro-grande.html
Nelson Mattos, nasceu no Rio de Janeiro no dia 25 de julho de 1924. Há mais de 85 anos!
Sua mãe Rosa Maria era empregada doméstica e cozinheira. Trabalhava e morava com Nelson na Tijuca. Nelson conviveu pouco com o pai que era cozinheiro, pois ele não morava com sua mãe. Seu pai morreu de gangrena, depois de um acidente na cozinha de um restaurante; uma panela de água quente caiu em seu pé e, não sendo tratado, acabou morrendo.
Quando ainda era menino foi morar no morro do Salgueiro, em um barraco alugado. Foi no morro do Salgueiro que o futuro compositor, então com dez anos de idade, tomou conhecimento do samba, desfilando e tocando tamborim. Ali ainda haviam duas escolas de samba: a "Unidos do Salgueiro" e a "Depois eu Digo". José Casemiro, (conhecido como Calça Larga), uma liderança no morro, uniu todas elas, nascendo assim a imortal “Acadêmicos do Salgueiro.”
Mas como esta história tão ligada ao Salgueiro foi parar na Mangueira que representa o nosso personagem?
Sua mãe teve muitas dificuldades para se manter com o filho no Morro do Salgueiro. Alfredo Português, importante compositor do GRES Estação Primeira de Mangueira, que era amigo do padrasto de Nelson convidou-os para morarem com ele em sua casa na Mangueira. Alfredo Português era empreiteiro da construção civil e um excelente letrista. Era uma figura diferente naquele universo dos morros do RJ, um português que compunha sambas.
Foi daí para frente que Nelson despontou para a música, quando Alfredo Português, que se tornou seu padrasto, descobriu o talento que surgia no jovem. Compuseram juntos (e também Jamelão), em 1955, o clássico samba-enredo "Primavera", também chamado de As quatro estações do ano, considerado um dos mais belos de todos os tempos.
Além disto, desde jovem, ajudava o Alfredo, nas obras, pintando as paredes das casas. Durante o intervalo dos trabalhos, aproveitou o que estava ao seu alcance: madeira, tinta, lixa, massa e pincel. E com isto começou também a fazer pinturas. Naquela época, ele trabalhava perto da casa de Sérgio Cabral, que o estimulou nessa atividade. Quando fez uma mostra durante o aniversário do crítico musical e conseguiu vender tudo. O primeiro a comprar um quadro foi ninguém menos que Paulinho da Viola.
Nelson integrou o conjunto A Voz do Morro, ao lado de Paulinho da Viola, Zé Kéti, Elton Medeiros, Jair do Cavaquinho, José da Cruz e Anescarzinho. Entre seus parceiros de composição musical, estão Cartola, Carlos Cachaça, Darcy da Mangueira, João de Aquino e Pedro Amorim. Neste momento já era Nelson Sargento, apelido fruto da patente mais alta que atingiu quando trabalhava no Exército Brasileiro.
Além de cantor, compositor e pintor, Nelson também se tornou escritor e ator. Escreveu os livros "Prisioneiro do Mundo" e "Um certo Geraldo Pereira". Atuou nos filmes "O Primeiro Dia", de Walter Salles e Daniela Thomas, "Orfeu" de Cacá Diegues, e "Nélson Sargento da Mangueira" de Estêvão Pantoja, que lhe valeu a premiação do Kikito, no Festival de Gramado, pela melhor trilha sonora entre os filmes de curta metragem. Atualmente vive em Copacabana, casado com Evonete Belizario Mattos - empresária e produtora - criou onze filhos e vários netos e bisnetos. O compositor mangueirense possui, aproximadamente, quatrocentas músicas em seu repertório. E se apresenta nesta sexta-feira no Traço de União em uma noite de gala no samba paulistano.
Compositor, cantor, pesquisador da música popular brasileira, artista plástico, ator e escritor brasileiro. Este é um pouco do mestre de 85 anos que veremos nesta sexta-feira em São Paulo. Imperdível!
Quem: Nelson Sargento Quando: 13/11 – 22h Onde: Traço de União Quanto: R$ 30 H e R$ 20 M
O Samba da Vela continua firme e forte, mas agora em lugar novo. Motivo: o Centro Cultural Santo Amaro entrará em reforma. Mas o samba não pode parar e tem lugar novo aí a partir do dia 09/11 - hoje.
Novo local: Espaço Paidéia Associação Cultural Rua Darwin, 153, Alto da Boa Vista
Estalem os tamborins, chorem as cuícas que o carnaval chegou.
Agora podemos começar a escolher os melhores sambas enredos e começar a visitar os barracões, ou ruas, com baterias estalando o ritmo acelerado dos sambas enredos atuais.
No quadro ao lado direito, abaixo da agenda do mês, colocarei onde estão acontecendo os ensaios, local e horários. Comecei com quatro das escolas que conheço e que tem realmente excelentes esquentas pré carnaval: Camisa Verde e Branco, Mocidade Alegre, Rosas de Ouro e Vai Vai.
Com isto, naturalmente os shows vão diminuindo de ritmo, mas continuam a acontecer na metrópole. Destaco o show do Quinteto em Branco e Preto, que domina o post abaixo, e que transformará a visita ao Você Vai Se Quiser em mais uma tradicional e especial noite de samba. Sendo que no dia 26/11 se apresenta homenageando um dos maiores partideiros do samba, Candeia!
Além disto, neste final de semana está acontecendo o Boteco Bohemia, que tem marca de cerveja e com isto vem se apropriando da imagem ligada ao samba de qualidade. Apresentando excelente artistas com destaque para Paulinho da Viola, Maria Rita, Casuarina e Banda Mantiqueira com Fabiana Cozza. Vale a pena para estar com estes pesos do samba.
Quem dá as caras em São Paulo é Diogo Nogueira, vencedor do samba enredo 2010 da Portela, o cantor se apresenta em dois lugares no mesmo dia: Cabral e Carioca Club. Vale a pena pelo excelente cantor, apesar de serem dois lugares que não conheço muito.
Para finalizar os destaques, ainda temos a excelente cantora Roberta Sá, que infelizmente se apresenta por um só dia e pertinho do feriado. Dia 19/11. E também temos Sombrinha que vem se apresentando toda sexta-feira no Traço de União.
É isto aí moçada, hora de fazer os passinhos de mestre sala e começar a cair na avenida.
Um pouco atrasado, mas ainda em tempo gostaria de explicitar a noite do dia 29/10/2009.
Chovia muito em SP e o trânsito caótico aglomerava os carros por entre as ruas e avenidas estéreis de esperança. Muitas buzinas e uma enorme dificuldade de se locomover à região central da cidade, ali perto do Arouche, mais precisamente ao lado da Praça Roosevelt.
Nada poderia me impedir de chegar à uma combinação incrível que estava para acontecer: o excelente grupo paulistano Quinteto em Branco e Preto, meu segundo lar do samba “Você Vai Se Quiser” e o repertório do recém finado Luiz Carlos da Vila.
Quinteto é um dos grandes grupos da atualidade do samba. Integram o grupo os irmãos Yvison (Casca), Everson e Vitor Pessoa , de São Mateus, Zona Leste de São Paulo e Magnu Souzá e Maurílio de Oliveira, de Santo Amaro, Zona Sul. Em mais de dez anos de carreira o grupo já acompanhou artistas como: Beth Carvalho, Luiz Carlos da Vila, João Nogueira e Elton Medeiros, entre outros. Além de acompanharem grandes artistas, são compositores e já gravaram três CDs.
Ao adentrar no festejado recinto, o clima era intimista e de muita alegria. O show não fora amplamente divulgado, portanto o boca-a-boca dos amantes dos sambas levaram ao local verdadeiros admiradores do ritmo, o que evitou turistas mais interessados na festa ou na balada. Nada contra o samba virar balada, e ser comercial. Acho ótimo e prefiro que aconteça isto com música brasileira do que com ritmos internacionais. Apenas estou relatando o que vivenciei.
A casa estava arrumadinha, todo mundo muito educado e já se via sob o palco os cinco banquinhos direcionados ao grupo. O próprio grupo se misturava à platéia, numa demonstração clara de humildade e senso de realidade. Mesmo que o grupo não seja tão famoso nacionalmente, ainda sim sabe que é um dos principais e melhores grupos de samba do Brasil. Devido aos intérpretes que os convidam, as críticas que recebem e ao conhecimento técnico que têm sobre o assunto.
Aproveito para fazer uma digressão sobre este tema, pois ser sambista tem algumas vantagens, e uma delas é poder conhecer o seu ídolo. Eles moram no nosso país e geralmente são extremamente acessíveis. Fico imaginando alguém muito fã do Bono Vox, que se esforça para conseguir ver um show a cada 10 anos, ver o show de longe e nunca ter contato com o ídolo. Mas novamente, nenhuma crítica, pois sou fã de artistas como Beatles (logo Paul MacCartney) e sei que é a realidade de cada estilo de música.
Voltando: na platéia também se encontravam figuras como Nananã da Mangueira, Toninho Geraes, Murilão Boca do Mato, Irmãs Pereira, entre outras figuras do samba. Tudo para prestigiar a homenagem a Luiz Carlos da Vila, que morreu há um ano e compôs sucessos como “O show tem que continuar”, “Além da Razão”, etc. E principalmente por ser um artista muito querido no samba.
A verdade é que o partido alto começou a rolar exatamente às 21h e levou todo mundo ao êxtase. Devido à capacidade de execução do grupo e do clima que tomava toda a casa. Uma noite mais que especial no coração de São Paulo, mostrando que a cidade é muito mais do que garoa e está longe de ser o túmulo do samba.
No repertório as canções de LC da Vila se misturaram a composições de Candeia, Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara e do próprio Quinteto. Levando toda a galera a cantar junto neste momento epifânicos da vida.
Quinteto com repertório de Luiz Carlos da Vila é destas coisas reconfortantes da vida. Samba de primeira qualidade, com gente de primeira qualidade. Vida longa ao Quinteto!