terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mais do que uma arte



Falo do samba. Que outra forma de expressão é mais completa? O samba dialoga com a divindade, abraça o solo, envolve-se com águas, é verde antes da moda, vermelho antes da decepção, azul porque anteblue, amarelo porque dissidente, branco porque reunião, e negro porque um negro é um negro, é um negro, é um negro, negronoite, e a noite é a mãe de todos nós.

O capital não tem pátria. O samba tem: a alma, onde quer que ela esteja. Há os que se julgam remadores em direção ao futuro. Não sabem que o samba lhes esculpiu o barco. O fazer samba implica sempre ato de magia: é voltar. E como a essa esplêndida viagem se opõem o tempo e a ciência, o samba, encrenqueiro, volta para o futuro, numa reconquista do paraíso perdido, na qual temos que tomar conta de nossos ancestrais-bebês, sabendo que, em outro futuro próximo, as gerações vindouras chegarão para nos alimentar. Esse é o paradoxal ciclo aberto do samba. Porque o samba, mais que feitio de oração, nos ajuda a atravessar o vale da morte e das lágrimas, a lama da impunidade, o limbo das esperanças perdidas. O samba preside o nascimento e celebra o gurufim dos seres. Em linguagem cósmica, o samba estava na primeira explosão e estará no último gemido. Em todos os recantos onde nos expandimos ou onde nos confrangemos existe samba.

Heranças não pretende só recosturar tramas em direção as raízes, mas principalmente fazer com que as copas floridas se misturem e confraternizem, gerando a fecundação simultânea de idéias e ideais, cujas palavras alegre de desordem e de vento sejam: não confinar, não murar, não cercear. Que os vampiros enfiem as estacas vã-guardadeiras no solo crestado de suas próprias igrejinhas.

Muito se falou sobre liberdade de expressão, sobre a ação de patrulhas ideológicas e, no entanto, não apareceram os textos que deveriam denunciar os guetos-quilombos que se criaram devido ao isolamento, à sistemática descaracterização de nossa cultura, a violências de toda ordem, até que, exauridos, fomos entregues de bandeja a manifestações pretensamente modernas que visavam ao lucro selvagem, que fomentavam as falsas crises da nossa imbatível criatividade, religiosa, erótica, social, maior que uma arte. Alguns ingênuos foram cooptados, a preço de banana, por esse imediatismos de miçangas-pop, desmembrados no caos de uma oficina de desmonte que colhia talentos como se fossem peças de segunda mão. O que esses adoradores do presente ignoram é que samba cresce com a cachoeira e o monturo, o córrego e a vala, na cidade e no campo, na paz e na guerra.

Por quantas estradas e vielas passem as caravanas congratulatórias e o seus patrocinadores, o sambamaqui, como um cão, estará emboscado com criatividade de fato e de direito.

Fazer justiça ao camelo não significa limar o dromedário do circo. Macacas de auditório, sejam bem-vindas, mas não paguem mico!

Aldir Blanc – Livro Heranças do Samba (Aldir Blanc, Hugo Sukman e Luiz Fernando Vianna)

domingo, 30 de novembro de 2008

Dezembro no samba


Boa noite!

Não sei se devo me desculpar, ou dizer alguma outra coisa. A questão é que não postava algo há muito tempo e de certa forma me sinto culpado.

Para o mês de dezembro as coisas ficam um pouco mais paradas. As programações ficam mais ligadas as casas de samba e tem menos shows específicos. o destaque fica para a comemoração do dia do samba e para os ensaios de escolas de samba que se iniciam.

De qualquer forma este humilde "postador" está de volta e pronto para dividir e discutir muito samba.

Abraços

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Fabiana Cozza para todos!


Olá,

Não percam hoje e amanhã grande show com Fabiana Cozza com diferentes convidados.

A cantora, na minha opinião, uma das maiores intérpretes do Brasil se apresenta hoje na Sala Crisantempo no show "Dos amores" com o excelente pianista Yaniel Matos. No show promoverão momentos emocionantes e estão reservadas algumas músicas cubanas de arrepiar a alma.

Onde: Sala Crisantempo - Rua Fidalga, 521
Quando: hoje - 13/11
Quanto: de graça!

Amanhã o show será no SESI e com a presença de Rappin Hood e o formato é outro.

Onde: Sesi - Avenida Paulista 1.313
Quando:amanhã - 14/11
Quanto: de graça!!

Seja qual for o local, seja qual for o convidado, seja o horário e data, Fabiana Cozza merece todos os louros e atenção. Que céu se clareie com esta sambista que tem dado o que falar.

Segue vídeo feito em outro show onde Fabiana esteve com Yanel.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Quinta descolada!


Nesta quinta-feira, 06/11, acontece no Studio SP a apresentação do veterano bateirista Wilson das Neves.

Se não bastasse ser o bateirista oficial do Chico Buarque, é também um ótimo compositor, e tem se saído muito bem como cantor, lembrando os antigos crooners.

O local, reduto dos moderninhos de São Paulo verá composições de Wilson das Neves com dois dos maiores letristas brasileiro: Paulo Cesar Pinheiro e Chico Buarque.

No vídeo pode-se ver a parceria com o Chico, um excelente samba a moda antiga.



Onde: Studio SP - Rua Augusta, 591 - Centro.
Horário: A portaria abre às 22h, mas o show só começa às 0h
Entrada: R$ 25,00 (inteira), R$ 15,00 (com nome na lista)
Para incluir seu nome na lista, envie um e-mail para studiosp@studiosp.org
Mais informações pelo telefone: (11) 3129-7040

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Fim de semana baiano!

"Fez escola na Bahia, dizem até que nasceu lá..."

Com este verso indico a todos um excelente show que acontecerá na sexta-feira e sábado no SESC Pompéia. No palco da Choperia se encontram grandes compositores e intérpretes de samba baiano.

"Bahia de todos os sambas" é um projeto que apresenta quatro importantes expressões do samba da Bahia e suas variáveis – partido alto, samba de coco, samba do recôncavo e samba canção – com a participação de quatro artistas baianos: Riachão, Nelson Rufino, Roberto Mendes e Mariene de Castro.

Se destacam:

Riachão foi o primeiro compositor baiano a ser gravado no Rio de Janeiro após Dorival Caymmi, ainda na década de 50. É apontado como um dos grandes cronistas musicais do jeito e das tradições baianas. Cada macaco no seu galho e Vá morar com o Diabo, são sucessos que podem ser lembrados.

Nelson Rufino é um dos principais compositores baianos. Tem dois discos solos gravados: “A verdade de Nelson Rufino” (2002) e “Cadê meu amor” (2004). Músicas como Verdade sucesso na voz de Zeca Pagodinho são exemplos de sua expressão.

Onde:Sesc Pompéia
Quando: 07 e 08/11
Quanto: R$ 16 - inteira

sábado, 1 de novembro de 2008

Hoje - sábado!!!

Bom, meio em cima da hora!

Mas hoje para quem quiser relembrar Luiz Carlos da Vila, acontecerá no Traço de União uma apresentação de Ernesto Pires em homenagem ao cantor e compositor que morreu neste mês. Mais informações sobre Luiz Carlos da Vila podem ser vista alguns posts abaixo.

Onde: Traço de União
Quando: 01/11
Quanto: R$ 30 H e R$ 25 M

Prestação de contas

Boa tarde amigos,

Na quinta-feira, 30/10, compareci ao samba no SESC Pompéia. Ficou comprovado que o novo CD da Dona Inah nasce para ser um grande clássico do samba paulistano. Uma cantora reconhecida cantando canções de um dos maiores compositores de São Paulo Eduardo Gudin.

O álbum tem os maiores clássicos tanto das mais antigas quanto das composições mais novas. No show estiveram presentes os garotos do Quinteto em Branco e Preto, João Borba e também a surpresa Eduardo Gudin.

Para mostrar que nem sempre em casa de ferreiro o espeto é de pau, resolvi dividir pedaços do show e estimular que conheçam o novo trabalha da Dona Inah. A câmera é de celular, por isto desculpem pela qualidade do filme.



E salve o samba paulistano!

Ah o carioca também, o baiano, etc...